patrimonio historico abandonado

GUARULHOS 450 ANOS – CASA DO PREFEITO JOSÉ MAURÍCIO EM DEGRADAÇÃO

Abandonado  Patrimônio tombado têm as paredes pichadas e as janelas tapadas com tijolos  

Construído em 1937, o prédio é propriedade particular da família do prefeito José Maurício de Oliveira Sobrinho (mandatos: de 1919 a 1930 e 1940 a 1945). Tombado pelo decreto n° 21143/2000, o patrimônio já serviu de residência, Fórum Municipal, Secretaria de Obras, Junta de Alistamento Municipal, e por fim, Museu Histórico. Atualmente, encontra-se sem utilidade.

Localizada na rua Sete de Setembro, n° 150, esquina com rua Felício Marcondes, no Centro de Guarulhos. A casa é um exemplo do descuido com os bens históricos da cidade. No começo de 2010, a prefeitura tinha anunciado que voltaria a alugar o imóvel, o local seria transformado em Centro de Incentivo à Leitura, mas até o momento nada foi feito.

Quando, ainda, a casa era alugada para servir de Museu Histórico. A família proprietária do prédio tentou vender para a prefeitura, mas, a venda não foi concretizada. Segundo as autoridades, o valor oferecido era muito alto.

Segundo cálculos para cobrança de IPTU, o metro quadrado na região central é de 2.766,91, por isso a Casa do Prefeito José Maurício é alvo de especulação imobiliária.

Conforme a lei de tombamento, um imóvel pode ser demolido se houver risco de desabamento, talvez isso seja interessante para os proprietários. Pois, quem passa pelo Centro de Guarulhos, se depara com o descaso. Paredes pichadas, algumas janelas foram tapadas com tijolos, vidros quebrados, tijolos expostos e vegetação invadindo as dependências da construção. Em questão de pouco tempo, pode haver algum comprometimento na estrutura.

No livro “Guarulhos Tem História – Questões Sobre História Natural, Social e Cultural, o historiador Elmi Omar fala sobre a importância de se conhecer o passado. “O conhecimento histórico deve contribuir não para o ressentimento, mas para uma política social, educacional e cultural que recompense os resultados desastrosos dos erros cometidos no passado e permita realmente dizer que somos todos iguais.”, conclui.



Escrito por Touché às 02h04
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LIVRO TRATA SOBRE A RETIRADA DOS NEGROS DA REGIÃO CENTRAL DE GUARULHOS

Extraído do site : https://cotidianoguarulhense.wordpress.com
    

No centro de Guarulhos havia uma igreja de frente para outra. Uma continua em pé, representa a fé oficial, é a igreja matriz. O templo derrubado era em homenagem à Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. O local era mantido por irmandades negras, foi derrubado quando o rural sobrepunha o urbano em terras guarulhenses. Um dos argumentos era para se melhorar o trânsito, no ano de 1928.

O historiador Elmi Omar, pesquisou os verdadeiros motivos para a derrubada do templo, onde os negros compareciam para ter contato com o espiritual. Ali acontecia o culto religioso sincretizado e também as festas profanas – as congadas, os moçambiques e toda cultura criada na junção da fé católica com a cultura negra vinda da África.

A igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos ficava no meio da atual Rua Dom Pedro II, perto do atual Poli Shopping. No chão há uma pintura em preto indicando o suposto local do templo derrubado, porém, Omar diverge da localização. Com base nos documentos e entrevistas, o historiador também colheu depoimentos de antigos moradores que informaram que a localização ficaria um pouco para frente de onde fizeram a pintura. Outra prova foi o estudo arqueológico feito com o sistema GPR – Radar de Penetração do Solo.

O livro utiliza a igreja como objeto de estudo para apontar o branqueamento do centro histórico, como aconteceu em outros lugares do Brasil. A igreja dos pretos ficaria mais distante da área central e também perderia seu antigo nome, deixando a comunidade negra à margem de algo que havia sido construído com suor e com a organização das irmandades.

Para Elmi Omar, a retirada física do templo serviria também como tentativa de desconstruir o imaterial das festas, danças e cantos que eram reprimidos pelas autoridades eclesiásticas e também por setores da igreja, que queriam uma fé alinhada com os mandamentos do Vaticano.

O livro é repleto de imagens que reconstroem uma Guarulhos desconhecida pela maioria das pessoas, um local rural com poucos moradores, onde os descendentes de escravos ainda lutavam para conseguir algum tipo de trabalho e lutar contra o preconceito.

A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos que  ficava na Rua Dom Pedro II, na década de 20 foi demolida e outra foi construída na esquina das Ruas Sete de Setembro com João Gonçalves sob o nome de Igreja Nossa Senhora do Rosário. A partir de 20 de novembro de 2010, dia da consciência negra, ela voltou a se chamar Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.

Informações sobre o livro
Título: Irmandades da Igreja Nossa Senhora dos Homens em Guarulhos – Identidade, Cultura e Religiosidade - Autor: Elmi E. H. OmarEditora: Navegar Assunto: História de Guarulhos, Irmandade Nossa Senhora dos Homens Pretos  - Páginas: 142 - Ano de edição: 2013

Apoio cultural AAPAH  - Apoio financeiro Secretaria municipal de Cultura

https://cotidianoguarulhense.wordpress.com.
http://guarulhosdepontaaponta.com.br/2010/11/20/igreja-nossa-senhora-do-rosario-dos-homens-pretos/


 



Escrito por Touché às 21h59
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E OUTROS VERSOS....

Um Pedaço do Tempo, Quase Amassado
José Maria Souza Costa.


Emprestem-me, um lápis para compor poemas
E enviar, à minha mãe, que dormiu e não  acordou.
Não precisa de rimas e  métricas nos morfemas
Basta ter as melodias, das canções que ela cantou.

Emprestem-me, um pedaço de papel, mesmo amassado
Quero redigir missivas kant, com o desalento do passado.
Emprestem-me, um pedaço do seu tempo e da sua vontade
Eu preciso escrever à minha mãe e recordar a sua bondade:

Sempre a  protetora deslumbrante, protegia-me, desenvolta
E sinto uma ausência eterna dessas que não tem mais volta.

Eu preciso encontrar a minha mãe: não sei se dormiu ou viajou
Trago no rosto marcas de um tempo, de uma alma, que chorou.

Emprestem-me, nacos do seu olhar, ainda que seja o derradeiro
Pra clarear minhas pegadas derramadas por trilhas aventureiras
Sou saudade por inteiro de mamãe, mesmo postado ao Madeiro
Contemplo um Cristo engembrado, que por nós, morreu primeiro

A distância, a viagem sem volta, a lágrima derramada, a ida
A palavra desprovida: perdi  minha mãe, abriu-se uma ferida.

http://www.josemariacosta.com

Ilustração: Alexander Nicolajevich Averin



Escrito por Touché às 01h20
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POETAS DO BRASIL - PARANÁ

APUCARANA  - PARANÁ


DETALHES DO AMOR
Rosemary Lopes Pereira


Pelos caminhos da manhã, inspiro-me olhando paisagens.
Descubro pequenas razões: um olhar vago, indefinido.

Colho emoções nos pequenos gestos,porque estou sempre apaixonada:
pelos sentimentos nascidos na alma dessa gente simples, que encontro 
todos os dias,pelas ruas em todas as manhãs.

Uns passam alegremente.Outros passam escondendo tristezas.
Com profundas cicatrizes, sem notar a transmutação da natureza.

Que oferece momentos de beleza tamanha.
Cores e flores, noites de luar, 
rubro entardecer.

Gosto das manhãs cheirando acácias e jasmim. Gosto do beijo amoroso, 
da brisa que passa suave e me deixa com saudade de tantas outras 
manhãs, que vivi plenamente.

(Extraído do jornal "O Radar", Apucarana, Paraná .)

Ilustração: Gracia Nepomuceno , “Manhã no Lago”



Escrito por Touché às 22h58
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seus beijos

Os Beijos Dele 


Os beijos dele levaram-na perigosamente prá perto de ferrões, presas e espinhos . Apesar de algumas horríveis histórias de envenenamentos, ela acumula , às vezes ,momentos de paixão e poderes mágicos que nem imaginava possuir

touché
guarulhos/sp

Ilustração: Bruno Steinbach 




Escrito por Touché às 00h47
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JD TRANQUILIDADE

NOTAS    
JARDIM TRANQUILIDADE......

do face do amigo Antonio Magalhães 


1- 1949: Guarulhos tinha aproximadamente 16 mil habitantes e o Prefeito era Fioravante Iervolino. No fim desse ano a Vila Allan Kardec foi loteada por uma imobiliária paulistana chamada “Tranqüilidade Companhia Imobiliária”.

2- A empresa mudou o nome da Vila para Jardim Tranqüilidade a fim de melhorar a aceitação dos clientes. Condições de venda: Lotes eram vendidos em 120 parcelas fixas (10 anos) de CR$352,00. Como incentivo o comprador ganhava 10 mil tijolos, 600 telhas, 2 portas e 2 janelas.

3 - 1950: No bairro havia três ruas principais. Rua Batuira, Rua Jacob e Rua Dona Dica.

4- A primeira denominação das ruas (nomes de médiuns espíritas) foi atribuida à família Queiróz, primeira a morar no bairro.

5- Exemplos : ruas Jacob , Dona Dica , Rua Lombroso,  Gabriel Delanne , Rua Mirabelli (Carmine Mirabelli ), Vinícius , Viana de Carvalho , Manoel Quintão ,Inácio Bittencourt , Lion Diniz  e  Rua Bezerra de Menezes,

6 - Rua Batuíra (médium espírita) virou rua Cabo Antonio Pereira da Silva, que foi um bombeiro que se afogou tentando salvar uma menina que estava se afogando (não cita onde ocorreu o fato).

7 - A rua Dr. Pacheco mudou para Rua Dr. Renato Pacheco Braga em 1973. Dr. Renato era médico do Padre Bento e do Leprosário Santo Ângelo.

8 - Rua João Germano da Silva (ex- Rua João Dias) é homenagem a um morador e  Av. Emílio Ribas a um médico sanitarista.

Fonte: Livro: “Jardim Tranqüilidade – um bairro e suas lembranças”
(Maria Thereza Avelino Testone. Guarulhos, Editora e Tipografia Soares Ltda, 1999.). 

Autora mistura memórias com dados históricos, mas serve como um bom guia para a pesquisa, tendo o cuidado em checar as informações.

Saiba mais sobre o bairro em http://sambadosino.blogspot.com/p/jd-tranquilidade-personagens.html



Escrito por Touché às 23h29
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guarulhos..vila galvão

Passeio de domingo - Vila Galvão
Roque Vasto



História publicada em 07/02/2007, no site São Paulo,Nossa Cidade

Gosto de passear pela cidade aos domingos, revendo lugares onde não vou há tempos. Lembrei-me de um lugar na zona norte onde fui muitas vezes quando menino. Esse lugar chamava-se Vila Galvão, e eu só o descobri porque a mãe de um colega tinha uma irmã que morava lá, e em uma das vezes que foi visitá-la levou junto o filho (O Rato) e seus dois colegas: o Ermelindo e eu.

A condução saía da Cantareira, sim, da estação Cantareira, onde uma maria fumaça ia pelo meio das ruas do carandirú, soltando fagulhas e apitando para avisar os pedestres e veículos, e assim, ia se afastando cada vez mais da cidade, até trilhar pela sua própria linha. Nada havia nas margens da ferrovia. Uma casinha aqui, outra mais adiante, até que se chegava na estação Vila Galvão. Era uma festa.



A casa onde íamos ficava perto de onde estava sendo construída uma estrada de rodagem, e as máquinas de terraplanagem cortavam os morros e deixavam enormes barrancos de terra vermelhinha. Não dava outra! Íamos rolar por esses barrancos, engolindo terra até ficarmos vermelhos de tanta poeira, e todo grudado de terra. A bronca era enorme, mas o prazer de rolar naquela terra fresquinha, fazer guerra de peloter de terra molhada, era inigualável.

Na volta para casa, quase sempre lá pelas 19 horas, dormíamos no trem, sob os olhares assustados dos passageiros, pois a roupa voltava imunda.

Não reconheci a Vila Galvão, nem mesmo sei onde era a antiga estação, mas a rodovia que estavam construindo era a Fernão Dias.



Escrito por Touché às 00h15
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felicidade

O ENCONTRO DOS PERSONAGENS
( TRECHO)



Felicidade?
Disse o mais tolo: "Felicidade não existe."
O intelectual: "Não no sentido lato."
O empresário: "Desde que haja lucro."
O operário: "Sem emprego, nem pensar!"
O cientista: "Ainda será descoberta."
O místico: "Está escrito nas estrelas."
O político: "Poder"
A igreja: "Sem tristeza? Impossível.... (Amém)"
O poeta riu de todos,
E por alguns minutos...
Foi feliz!

(Declamação da letra do Teatro mágico: Felicidade)

DA PEÇA TEATRAL " O ENCONTRO DOS PERSONAGENS"
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ
DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
PROGRAMA DE INSTITUCIONAL DE BOLSA DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA
SUBPROJETO LETRAS/LÍNGUA PORTUGUESA
AÇÃO: REVISITANDO OS GÊNEROS NARRATIVOS A PARTIR DE PRÁTICAS TEATRAIS

*
O saudoso poeta Mário Quintana  também nos deixou uma frase muito delicada sobre a felicidade : " O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você "

Também é de Quintana, essa quadra bem humorada sobre o tema:


DA FELICIDADE
Mario Quintana

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!

Espelho mágico. Ed. Globo. 2005.

Ilustração: "Sorriso" de Elias Prado e "Pescando com o vovô", Mark Keathly



Escrito por Touché às 23h56
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felicidade clandestina

Felicidade clandestina
Clarice Lispector



Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.

Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade".

Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.

Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.

Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu nao vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo.

Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico.

No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte"com ela ia se repetir com meu coração batendo. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei.

Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.

Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. As vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.

Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo.

Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.

Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.

Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes.

Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.



Escrito por Touché às 00h34
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Tema: Felicidade

NOTAS



1 -  "Alguns causam felicidade em todo lugar que vão, outros em toda hora que partem."  Oscar Wilde

2 -  Oscar Fingal O'Flahertie Wills Wilde, ou simplesmente Oscar Wilde (Dublin, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, atual República da Irlanda, 16 de outubro de 1854 — Paris, França, 30 de novembro de 1900) foi um influente escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa.

3 -  Depois de escrever de diferentes formas ao longo da década de 1880, ele se tornou um dos dramaturgos mais populares de Londres, em 1890. Hoje ele é lembrado por seus epigramas e peças, e as circunstâncias de sua prisão, que foi seguido por sua morte precoce.

4-  Em Maio de 1895, após três julgamentos, foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por "cometer atos imorais com diversos rapazes".

5-  Foi o pai de um dos seus supostos amantes, o Marquês de Queensberry, quem  levou Oscar Wilde ao tribunal.

6 - o Marquês de Queensberry era pai do Lorde Alfred Douglas , apelidado de Bosie. No terrível período da prisão, Wilde redigiu uma longa carta a Douglas, que chamou de De Profundis.

7 - Wilde foi um mestre em criar frases, marcadas por ironia, sarcasmo e cinismo

8 - Assim como Wilde, o líder pacifista Mahatma Gandhi (1869-1948) ,  principal personalidade da independência da Índia,
também ficou conhecido por seus pensamentos e sua filosofia.

9 - Gandhi ganhou destaque na luta contra os ingleses por meio de seu projeto de não-violência.

10 - Sobre o nosso tema de hoje, felicidade, Mahatma Gandhi escreveu: 
"Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho"

Ilustração: "O Sonho da Felicidade", Pierre Paul Proudhon










Escrito por Touché às 21h32
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tema: felicidade

Com Doce Sabor Feliz
Abel B. Ferreira


Teus lindos lábios rosados,
"Lábios de mel de Iracema"
Com doce sobor, feliz,
estão cheios de poemas,
de versos que eu nunca fiz 

Florianópolis/SC

Ilustração: Rigel Herrera



Escrito por Touché às 00h32
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FELICIDADE

A Felicidade Existe



Nada mais foste que o encanto
do meu viver, hoje triste.
Mas uma coisa eu garanto:
a felicidade existe

José Deusdedit Rocha
Fortaleza/CE

Ilustração: Carlos Dugos

Deusdedit Rocha é trovador, membro da União Brasileira de Trovadores - UBT - Ce - editor da publicação alternativa "Meya Palavra", Rua João Cordeiro, 1991, apto 101-B, Cep 60.1106301, Fortaleza, CE

Carlos Dugos nasceu em Lisboa, em 1942. os seus primeiros trabalhos de pintura datam de 1957.



Escrito por Touché às 00h45
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felicidade

Tema: felicidade 

No post de hoje e nos posteriores, trazemos textos relacionados ao tema "felicidade". Segundo o site Wikipédia, "existem diferentes abordagens ao estudo da felicidade - pela filosofia, pelas religiões ou pela psicologia. "

Ainda segundo o mesmo site ;  "A felicidade é o que os antigos gregos chamavam de eudaimonia, um termo ainda usado em ética. Para as emoções associadas à felicidade, os filósofos preferem utilizar a palavra prazer."

O escritor Orison Sweett Marden, diz que " a felicidade depende mais do estado de espírito do que das circunstâncias exteriores."  Orison Swett Marden foi um autor espiritual americano do Movimento do Novo Pensamento, que enfatiza crenças metafísicas.

*

No post de hoje, trazemos reflexões da gaúcha Helena Dornelles Macedo e de um autor desconhecido. Esperamos que vocês gostem... 

*

QUADRINHA DA FELICIDADE 
(Anônimo)


Saibam que a felicidade
raramente é percebida,
porque ela só é encontrada,
nas coisas simples da vida.

Extraído do blog Peregrina Cultural" s Webblog 
http://peregrinacultural.wordpress.com

*

VIVER 
Helena Dornelles Macedo


Seguimos nosso caminho
em busca da felicidade
Colhemos o que plantamos
Vivendo com lealdade

Santa Maria/RS 
publicado no Jornal Letras Santiaguenses
Santa Maria/RS 

-

Ilustração:  ÉMILE MUNIER - Uma família feliz
 Óleo sobre tela - 67,3 x 55,9 - 1879



Escrito por Touché às 00h29
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Professor Osvaldo
Osvaldo Izidoro de Lima
Nascimento em 1949
Caçapava – SP

Sua família se muda para Guarulhos no início de ano de 1950. Osvaldo conta que seu pai trabalhava em portos de areia, por influência de seu compadre (pai de Osmar – A A Flamengo e vizinho de residência no Tranqüilidade). O trabalho do pai acarretava em mudanças da família sempre perto do porto de areia mais próximo, como por exemplo, bairro do Taboão de 1956, Santo Amaro 1959, e retorno para o bairro do Tranqüilidade no mesmo ano. Lembra que antigamente muitas casas eram de madeira e telhado de folhas de zinco.
Na compra do terreno no bairro a família ganhou tijolos e areia, uma promoção da Imobiliária Tranqüilidade. Com muito carinho lembra-se do padrinho e vizinho que construiu a sua casa e de seus pais ao mesmo tempo. Conta que levantava um pouco a parede de sua casa, e depois ia até a casa do compadre e equiparava as alturas das paredes.
No início as projeções de cinema eram efetuadas fora do GALPÃO ao relento. Estendia-se um pano branco para a projeção, se a noite ventava o pano ficava se moldando ao sabor do vento. Lembra que as projeções eram de responsabilidade do Sr Georcelino Alves Moreira.
Na projeção sempre eram passados um filme debang bang, um seriado, um jornal (Aliança para o progresso, geralmente sobre a guerra) e futebol, para ele o CANAL 100. Conta como era verGarrincha driblar prá lá, prá cá, e em uma oportunidade olhou para traz neste momento e pode ver a alegria estampada no rosto da meninada, a alegria do futebol, confessa não seguir muito o esporte.
No GALPÃO, alem das sessões de cinema, também havia lutas de boxe, shows, teatro. E de quarta feira funcionava uma espécie de Centro de Saúde Itinerante, e as salas eram separadas com divisórias de panos.



Mariano
Antonio Roberto Mariano
Nasc 22/06/1946 Uberaba – MG

Sua família se transferiu para Guarulhos, bairro Jardim Tranqüilidade em 1949, morava na antiga Travessa Viana de Carvalho, atual Viela Cetim, 44. Na época não havia mais do que 30 residências no local. Enfatiza que no bairro não havia casas de madeira, pois a Imobiliária que vendia os lotes já incluía 2 mil tijolos e areia para os compradores, e tinha como cláusula que não poderia ser construído barracos de madeira. Jogou futebol no Mirim do Grêmio Esportivo Tranqüilidade, Juvenil do AA Flamengo, Garotos de Ouro, Paz e União (V São Rafael), Portuguesinha da Ponte Grande. Desfila pela Escola de Samba Vai-Vai desde 1964. Faz parte do Conselho do AA Flamengo desde 1982.
Recorda que em 1952 presenciou o início das obras de construção do “GALPÃO” (Praça Nossa Senhora de Fátima). Lembra com saudades que eram passadas muitos seriados no “GALPÃO”, recorda:- “Tinha uma maquininha, um projetor, que volta e meia o operador dava uma voltas na manivela para que os filmes prosseguissem”. Entre os que mais gostavam estava o seriado“Flecha Ligeira”. Lembra dos Bailes Domingueiras, Festas Juninas, Casamentos, etc. Mês de Junho no bairro havia festas juninas em muitas residências com bastante quentão, batata doce cozida e na brasa da fogueira, milho verde, doce de abóbora, doce de figo, pipoca, etc. Outro passa tempo da época, hoje proibido por lei, eram os balões, a maioria de 6 folhas, balão mexirica, caixa d’água, peão, para colar faziam cola de farinha de trigo, vinagre e sal cozidos.
A Biquinha (Rua Freire de Andrade) era um ponto muito requisitado. As senhoras iam lavar roupa, e os filhos ficavam brincando na lagoa e nos poços d’água. Lembra que após a ligação da energia elétrica, o Seu ZUZA (um líder no bairro) ficava encarregado de trocar o fusível quando queimava.
“1958 – Brasil campeão mundial de futebol, o povo sai para as ruas do bairro, cantando “A Taça do mundo é nossa, com brasileiro”...”, batendo em latas e baldes, levantando poeira das ruas de terra (na realidade eram mais caminhos do que ruas), e emenda:- “Ai surgiu o Cordão dos Irmãos Rubis, que depois vira Escola de Samba”. Forma-se no Primário (Hoje o equivalente a Quarta Série do Ensino Fundamental) no Grupo Escolar João Álvares Siqueira Bueno na Rua Cabo Antonio.

Lalá – Laercio
José Aécio Oliveira Silva
Nasc 27/04/1948  - Itabuna – BA

Figurinha carimbada no futebol do bairro, quem viu diz que é craque. Em 1963 começou jogando no GE Tranquilidade, cujo técnico era Seu Lima (José Epifanio de Lima). Em 1964 Lima, já como técnico do juvenil do AA Flamengo o chama para jogar em seu time. Em 1965 vai jogar no time Cidade Brasil, equipe que defendeu por vários anos, também jogou no Atlético Mineiro de Guaurlhos (com o presidente Arthur Baggio). Em 1970 foi campeão pelo AA Flamengo. Estudou no João Alvares, fez Univesidade (PUC) e atualmente é Diretor concursado de Escola Pública.
Mudou-se para Guarulhos em 1952, na Av São Paulo, em frente ao campo do Flamenguinho (AA Flamengo) e time SãoPaulino do Zelão (era estivador na Rua Santa Rosa – Mercado Municipal de São Paulo). Segundo comenta, o time SãoPaulino tinha em seu elenco os piores jogadores da região, mas que por ironia teve também o melhor jogador que viu passar pela região CHINA. Neste time também jogava o falecido Seu Maloca (pai do Heitor). Aécio, ou Lalá para os mais intimos, conta que ganhava chuteiras usadas do pai doNathan, irmão do Geio (Gerson que jogou no SE Palmeiras) e também do Obed (hoje radicado em Santos – músico dos bons). Os dois, Obed e Lalá, pegavam o Trenzinho, iam até a Cantareira comprar travas novas, e traziam para o Regis (Reginaldo – Sapateiro que ficava na Rua do Correio) pregar, e depois vendiam estas chuteiras. Lalá era fã de carteirinha do Nego Tinho (segundo ele mesmo nos conta, outro craque da região), sabia que Nego Tinho não andava com chuteira, então ia para beira do campo com dois pares de chuteiras, esperando-o chegar e lhe pedir uma chuteira para jogar, diz:”- Era a maior satisfação...”. Nego Tinho foi morto em briga no parquinho em frente à Praça Nsra. de Fátima, episódio que criou uma verdadeira guerra entre a PM e Exército na época.
Lembra do time “Garotos de Ouro” fundado pelo Carlão (quem não conhece!) depois rebatizado como“Itaúna”, e exclama: “Os melhores jogadores passaram por lá...” Enumera da cabeça alguns jogadores da região que foram profissionais do futebol, entre eles: Dagoberto (Ponte Preta); Geio –Gerson ( SE Palmeiras, Avai); China (Flamengo, Ituano, Sertãozinho); Odair (São Bento, Calvo Solten – 2ª divisão da Espanha),Edson David- Pinga (Fluminense RJ); Pereira (Santos, Interncional –RS).
Comenta que sempre era entrevistado pelo jornal Guaru News (hoje Folha Metropolitana) pelo então reporterHermano Henning, também nascido em Guarulhos (atualmente ancora do jornalismo do SBT). Os Carnavais do GALPÃO deixam muitas saudades. Bem como as reuniões do Bar Las Vegas (na Av. Emilio Ribas) reduto dos craques do futebol.
Fato que lembra e que é hilário Santana (tinha uma perna mecânica) Coxinha, Nito e mais dois jogadores, estavam indo pela Rod. Dutra para jogar em Pindamonhangaba, no meio do caminho a perna mecânica do Santana soltou e ficou presa no acelerador, e o carro em que estavam saiu em disparada, e Santana não conseguia desenroscar a tal da perna, ia só desviando do tráfego, até que em certo momento consegue retirar a perna do acelerador para alívio de todos. No retorno ninguém queria voltar no carro do Santana.






Escrito por Touché às 02h00
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curiosidades sobre a cachaça

CACHAÇA 


Do blog de Luiz Cidreira 

1- Cachaça é uma bebida alcoólica feita a partir de fermentado de cana. É o mais popular destilada bebida alcoólica no Brasil . É também conhecido como aguardente , pinga , caninha e por muitos outros nomes.

2 - No início do século XVII, os produtores de açúcar em várias colônias europeias na América começaram a usar os subprodutos de açúcar, como o melaço como matéria-prima para a bebida alcoólica que nas colônias britânicas foi nomeado rum, na França, de tafiá, na Espanha aguardente de Cana e no Brasil aguardente da terra, aguardente de cana e cachaça mais tarde.

3-  Fora do Brasil, a cachaça é usado quase exclusivamente como um ingrediente em bebidas tropicais, sendo a  caipirinha o mais famoso cocktail.

4- A produção de açúcar foi principalmente mudado da ilha da Madeira para Brasil pelo Português no século 16. Os alambiques que faziam  Aguardente de cana na Madeira foram trazidos para o Brasil para fazer o que hoje também é chamado de Cachaça.

5- O processo de destilação remonta a 1532, quando os colonizadores portugueses trouxeram as primeiras mudas de cana-de-açúcar para o Brasil 

6- Cachaça, como rum, tem duas variedades: branco e ouro. Branco é normalmente engarrafado imediatamente após a destilação e tende a ser mais barato (alguns produtores de idade para até 12 meses em barris de madeira para alcançar uma mistura mais suave).Muitas vezes, é utilizado para preparar caipirinha e outras bebidas, em que a cachaça é um ingrediente. 

7 - A cachaça escura  geralmente vista como a variedade "premium", é envelhecida em barris de madeira e é destinado a ser bebido direto (geralmente é envelhecido por até 3 anos, apesar de alguns "ultra premium" foram envelhecidos por até 15 anos). O sabor é influenciado pelo tipo de madeira do tambor.

8 - Por mais de quatro séculos de história, cachaça acumulou sinônimos e apelidos criativos .  Algumas destas palavras foram criadas com o propósito de enganar a fiscalização da metrópole quando a cachaça tinha sido  proibida no Brasil, Há mais de duas mil (2000) palavras para se referir ao destilado nacional. Alguns desses apelidos são:abre-Coração, água-benta, bafo-de-tigre e limpa-Olho.

FONTE: http://lucidreira.blogspot.com.br/2014/09/dia-nacional-da-cachaca-essa-e-sim.html

ILUSTRAÇÃO: Debret 




Escrito por Touché às 00h03
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Carro que entregava pães na cidade de Guarulhos em 1931.

Esse era o carro que entregava pães na cidade em 1931. Curtiram? Bom domingo!  Foto: Arquivo Histórico Municipal  #ArquivoHistóricoGuarulhos #FotosAntigas

Esse era o carro que entregava pães na cidade em 1931. 

Foto: Arquivo Histórico Municipal



Escrito por Touché às 22h27
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recordações - guarulhos

Amigos perdidos? Amigos reencontrados?
Escrito por Ada 
http://coisasdeada.blogspot.com.br

O páteo da minha escola
Aqui vem uma primeira tentativa de relembrar meus amigos de infância e adolescência dos tempos de ginásio. Uma bela escola, cheia de histórias. Na verdade, uma tentativa de lembrar de mim...

1967
Primeiro ano de ginásio. Treze anos de idade. A escola – Conselheiro Crispiniano – construída por Vilanova Artigas, sobre a qual falarei num outro momento, pois há o que falar sobre ela.
O lugar, Guarulhos, uma cidade da Grande São Paulo, que tinha a maior renda per cápita e à época muitas fábricas. Cidade feia, no meu conceito de beleza de cidade. Cidade proletária. Mas eu não entendia a analogia de cidade feia versus vida proletária onde os operários dão seu sangue na produção e vivem em condições desfavoráveis.


alienados e felizes
Todos éramos filhos destes proletários. Meu pai, operário da Olivetti. Crianças que viviam felizes em bailinhos com luz negra, o único lazer no fim de semana. A escola era o elo de ligação. Jogar handebol, basquete, queimada, brincar no recreio, escrever no livro de recordações das amiguinhas, hastear a bandeira e cantar o hino nacional com a mão no peito, desfilar no sete de setembro e tocar na fanfarra pela avenida Dom Pedro, a principal da cidade. 
Eu nem sabia quem havia construído a nossa escola. Nem sabia quem havia pintado aquele painel tão vivo na memória quando o vejo hoje, lá no páteo onde brincávamos. A gente estudava o que os livros de história impunham. Sem noção nenhuma. O país vivia um regime militar com o golpe de 1964. Quer saber quem era o presidente da República?http://www.brasilrepublica.hpg.ig.com.br/presidentesbr.htm
desfile no 7 de setembro
Segundo ano de ginásio. Quatorze anos de idade. O AI5 – ato institucional nº 5 - acabava de ser instituído em 13 de dezembro deste ano. Erasmo Dias com cara de monstro dizia: “eu prendo e arrebento” e prisões, torturas, as bocas caladas à força. A tropicália surge com Caetano Veloso, Gilberto Gil. Junto vem os Mutantes, os Beatles. A MPB do Paulinho da Viola e Elis Regina já vigorava. Os festivais, os protestos de estudantes. A UNE. A gente nem falava sobre isso. Falava? A gente nem conhecia isso. Conhecia? O que mesmo
a gente fazia?
Assusta-me conhecer a história do Brasil onde eu existia mas não fazia parte ativa e que descobri nos livros, anos depois. Dormia no berço esplêndido da minha adolescência iniciante, quase infância. Colecionávamos os “brucutus”, metaizinhos que revestiam o esguicho de água para limpar pára-brisas do fusca e gritávamos nas matinês do cinema no filme dos Beatles... e depois queríamos usar o anel de rubi que o Ringo Star usava e que os camelôs - eram poucos - vendiam como auge da moda. Mas éramos muito jovens ainda prá lutar. http://txt.estado.com.br/edicao/especial/AI5/ai56.html
E enquanto isso... seguiam-se então os anos mais duros da vida do Brasil. Anos de chumbo. Estávamos ali, pelas beiradas do olho daquele furacão.

Eu gosto de melancia
"Tudo isso acontecendo, eu aqui na praça, comendo melancia..."1973
Faculdade de Arquitetura Farias Brito. Dezoito anos! Tinham se passados então os 4 anos do ginásio e os 3 de colégio. Todos eles na ditadura, com a mesma turma, no mesmo colégio. Passaram-se assim, sabe-se lá, que a minha memória tenta recuperar.
Mas foi aí que descobri o que “rolava” no mundo. Afinal ser promovido a estudante universitário é, e sempre foi, um status que traz novos desafios. Eu vi que a minha cidade era feia porque era proletária. Entendi o que era essa palavra que nunca tinha ouvido falar. Ser rica nunca tinha sido meu objetivo, mas esse pensar se acentuou muito. Vi que existiam classes, a dos pobres e a dos ricos. Não era justo produzir e não possuir o produzido. Não era justo vender a força de trabalho e vendê-la por tão pouco. Não era justo fazer o carro e não tê-lo, ou uma casa - já ouviu o Chico Buarque cantando um operário em construção? Meu pai era ateu e creio me influenciou bastante na forma de ver o mundo.
Ouvi de soslaio no rádio, num dia daqueles, sobre a Guerrilha do Araguaia.http://www.vermelho.org.br/araguaia/martires.asp
Vi que tinha gente resistindo e morrendo por esse ideal de libertação. Eu queria fazer parte da história do meu País. Ser assim alienada me incomodava. Virei rebelde com causa. Entrei no mundo dos adultos. Um mundo novo então se abriu à minha frente. 
Era um mundo ilegal, desafiante, instigante. Tinha que viver nele, participar dele. Fiz teatro, participei dos DCEs, entrei nas passeatas dos estudantes do largo São Francisco levando jato d´água e bomba de gás lacrimogêneo e correndo da polícia. Achei o Partido Comunista do Brasil.
Meus amigos da infância, que hoje revejo depois de 30 anos, tinham ficado apenas no passado. Nunca mais tive notícias deles. Queria trilhar novos caminhos e eles não estavam comigo nesses novos caminhos. Nunca pude encontrá-los na mesma trincheira. Onde eles estavam? Então eles ficaram esquecidos? Adotei novos amigos e novas novas idéias. Cresci, casei, tenho filha linda, casei, separei, casei de novo. Meus amigos de infância ficaram fora dessa minha nova realidade.
Só as meninas
E hoje quando os revi, ainda em doses homeopáticas, ainda sem reconhecê-los e entender o que são, além de muito curiosa sobre seus destinos, sinto um misto de saudade da infância, da inocência

Só os meninos
Sinto mesmo é a saudade de uma coisa que ainda não aconteceu e pela qual continuo lutando: um mundo livre, um mundo socialista.
Um abraço a vocês meus amigos queridos, ao lembrar de mim, lembro-me de vocês. Espero estejam felizes. Eu estou. Segui o caminho que achei mais justo e espero poder compartilhar meu presente, assim como estamos compartilhando nosso passado.



Escrito por Touché às 02h13
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guaru mix-curiosidades e informações sobre guarulhos/sp

GUARU MIX  
Um pouco da cidade de Guarulhos, SP. 

*

IMIGRANTES, OLARIA, VILA AUGUSTA : ENTREVISTA VALTER MANDOTTI 

"Vou reproduzir uma entrevista de Valter Mandotti, funcionário graduado da Prefeitura, ao Jornal de Guarulhos. Os pais dele, descendentes de italianos, vieram do interior do Estado e compraram um olaria em Guarulhos.

Eles fazem parte de uma onda de imigrações de italianos que começou no final do século passado e continuou nas primeiras décadas deste século. 

Em 1923. os italianos eram 50% dos proprietários rurais deste município. Naquela época, e nos anos posteriores, a olaria era um dos ramos produtivos mais importantes desta região, ao lado de outras atividades como a agricultura, a extração de areia, pedregulho, caulim, lenha, carvão e de algumas poucas e pequenas indústrias de tecidos, couro e alimentos. 

Mais tarde, em 1942, chegou a haver 100 olarias no município.

Dizia Mandotti: " Meu pai, juntamente com seus seis irmãos, compraram uma olaria no Bairro dos Teles, hoje Vila Augusta, onde também existia um porto para extração de areia. Foi nesse bairro que nasci, em 1943. Minha infância foi toda ela vivida no bairro de Vila Augusta, na época, um bairro muito simples, muito pacato, porém muito aconchegante. Todos os seus habitates eram amigos. Eu ia com frequência à olaria de meu pai, jogava futebol, tomava banho no rio Tietê, participava de pescarias, andava a cavalo. Aos domingos, o programa dos guarulhenses da época era passear de barco pelo rio Tietê." ( fonte: Elói Pietá, "Revirando a história de Guarulhos", editora Cajá,1992 ) "

*

CRONOLOGIA GUARULHENSE - GRÊMIO LITERÁRIO RECREATIVO GUARULHOS


5/1/1915 - É fundado o Grêmio Literário Recreativo-Guarulhos. Sua diretoria, eleita em escrutínio secreto, ficou assim constituída: Padre Celestino Gomes de Oliveira Figueiredo ( Presidente), Guilherme Prestes Mubach (vice), Guilhermino Rodrigues de Lima, Brasílio Marcondes Machado, Gaspar Gomes de Oliveira Figueiredo, Antonio Batista de Lima, Constâncio Tianni e Artur Marret. Essa diretoria foi empossada no dia 10 do mesmo mês. Abrilhentou a festa a Corporação Musical Lyra de Guarulhos. (fonte: João Ranali, "Cronologia Guarulhense, 1º volume, Glórias, Alegrias e Tristezas de uma Cidade",1986) 

*

CRONOLOGIA GUARULHENSE - A PRIMEIRA ESCRITURA 


23/11/1840 - É lavrada a primeira escritura em Guarulhos, pela qual Mariano José Leite e sua mulher Gertrudes Penteado fizeram doação de suas terras à filha Maria. (fonte: João Ranali, "Cronologia Guarulhense, 1º volume, Glórias, Alegrias e Tristezas de uma Cidade",1986) 




Escrito por Touché às 00h53
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Casa – Rua Constâncio Colalilo

Hoje vivemos numa época em que a tendência do mercado são os apartamentos pequenos. Basta abrir os jornais, especialmente aos domingos, para encontrar anúncios de imóveis de 25 metros quadrados ou ainda menores.

Mas também houve uma época que a tendência também era de imóveis pequenos mas, ao invés de apartamentos, eram casas. Muitas destas casas, vendidas especialmente entre os anos 50 e 60, já foram reformadas e demolidas, mas rodando pelas ruas ainda encontramos algumas delas conservadas e bem charmosas.

clique na foto para ampliar

clique na foto para ampliar

Localizada no bairro guarulhense de Vila Augusta, essa simpática residência é a única a manter sua fachada original e preservada de um conjunto de 4 casas geminadas na rua Constâncio Colalilo. As demais, já sofreram algum tipo drástico de alteração, que vai desde um porta nova até cobertura para automóvel.

Vista dos imóveis vizinhos (Crédito: Google)

Vista dos imóveis vizinhos (Crédito: Google)

Casas como esta são cada vez mais raras hoje em dia. Os imóveis hoje abandonaram há muito tempo os muros e portões baixos e são cada vez mais isoladas da rua. Casa sem garagem ? São poucos os que aceitam. E os jardins então ? Muitas pessoas não encontram tempo para cuidar deles nos dias corridos do século 21.

Parece que a modernidade ao mesmo tempo que trás benefícios como medicina melhor e mais conforto, por exemplo, ao mesmo tempo nos sufoca. Entretanto pode passar quanto tempo for, casas como esta continuarão adoráveis.  Não é mesmo ?

Veja mais duas imagens desta residência:

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

Crédito: Douglas Nascimento / São Paulo Antiga

in: http://www.saopauloantiga.com.br/casa-rua-constancio-colalilo/

 



Escrito por Touché às 00h21
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poetas do brasil - paraná

POETAS DO BRASIL
PARANÁ



A FORÇA DO AMOR

Rosemary Lopes Pereira



Contemplo o entardecer. E me refaço nos braços da natureza.
Porque acredito na beleza da criação divina. O silêncio transfigura o momento. Anoitece.
Recordo minha vida, minha paixão. Guardo relíquias de encontros. Música e canção. Basta o essencial : um vinho, um violão. Um olhar no olhar,
um gesto, uma bandeira de luta. Verdade e vida. Justiça e fascinação.
Essa é a minha guerra. A minha persistência. A minha emoção

Apucarana, Paraná

*
Leia o que diz a escritora Maria Thereza Cavalheiro sobre a trajetória do jornal O Radar e sobre a sua diretora/editora, Rosemary Lopes Pereira  : http://casaazuldaliteratura.blogspot.com/2010/02/rosemary-lopes-pereira-e-o-sonho.html

*
Imagem :Talantbek Chekirov. Tender Passion
Ilustração: .Paisagem de Alfredo Andersen

Alfredo Andersen nasceu em Christianssand, 1860  e morreu em Curitiba, 1935 .  Toda a formação artística de Alfredo Andersen se deu na Europa e em ateliês particulares da Noruega e da Dinamarca. Entre as décadas de 1880 e 1890, atuou como artista profissional, professor, cenógrafo e jornalista. Filho de um capitão da marinha mercante, desembarcou em Paranaguá, em 1892, após longo período de viagens pela Europa e América. Cerca de dez anos depois se fixou em Curitiba, participou de mostras individuais, coletivas e retomou o trabalho de professor de desenho e pintura. Pela intensa e efetiva atuação foi registrado na história como o “Pai da Pintura Paranaense”.



Escrito por Touché às 00h42
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