movimenta-se em tanque de água turmalina mediante a força da luz.estranhamente. a solução está na ponta de sua língua bífida de lamber orelha comestível : aquela que tortura, seguida a mamada lúcida e intensa, em lóbulo esquerdo. com o calor, o contato do silêncio no tempo oxigenado é maior. então, escorre vórtice. sem solução... porque agora cansada, ela transmuta o choque proveniente de sua cidade internamente aquática e estereotipada. pairando um suor laríngeo, a resposta ainda continua dentro. 

ela segue.

adriana zapparoli

zeniteblog.zip.net

(Nas palavras do crítico André Dick, os versos de Adriana Zaparolli é "por vezes, é uma poesia que parece estar sendo exagerada e até mesmo romântica quando está trabalhando em camadas diferentes de linguagem, além de se caracterizar por um humor sutil, sempre oblíquo e desviado pelo tom científico de algumas proposições. No entanto, por trás disso, parece haver, junto com a sintaxe rebuscada, as elipses e fragmentações, uma procura por certa completude que inexiste, mas que insiste em ser buscada.")

*

Delinquência

 

Crava

a tua indecente

garra,

na pequenêz

dos meus segredos

em brasa.

Bebe

o prazer

na taça

do meu ventre

e traduz,

em signos e dentes,

a fúria

da tua fome

fremente.

Planta

tuas sementes

de tempestades

e ventos:

pulsa, rebenta

e me arrebata.

Eu liqüefaço,

transbordo

e tu me reinventas.

 

Míriam Monteiro

http://migram.blog.uol.com.br/



Escrito por Touché às 00h06
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Correspondências Recebidas

 

Gente querida :  O post de hoje é sobre algumas correspondências recebidas ,de diversas partes do país.

 

·                   ADÃO WONS -  Inicio o post com o registro do recebimento da carta do amigo Adão Wons, da cidade de Cotiporã, Rio Grande de Sul. Adão gentilmente me enviou um exemplar da publicação “Cotiporã Cultural”, editada por ele, com o apoio da Secretaria de Cultura da cidade. O zine publica poemas e informações culturais. Adão me enviou ainda um folder sobre sua bonita cidade. O que tem no folder você pode conferir aqui ( http://www.riogrande.com.br/turismo/cotipora.htm). Do zine, posto o poema Destino, de Antonio P. Mello : Cada caipira que nasce/traz o destino traçado/uns prá viver na fartura/outros prá viver apertado/eu nasci prá me meter em encrenca/e vivo só encrencado”. Contato : Adão Wons : Rua Marcílio Dias, 253 – Cotiporã – Cep 95335.000

·                   AS ACADÊMICAS – Da cidade de Vitória, Espírito Santo, recebo a publicação “As Acadêmicas”, editada por Regina Menezes Loureiro e Maria José Menezes. A publicação publica crônicas e poemas . Dela transcrevo um poema de Pedro Du Bois : IRRELEVANTE : Na irrelevância do tempo/o desencontro se ausenta:/nomes apostos/mestres se renovam/em mesmas coisas/homens opostos/a vaidade adjetiva/colegas decompostos/em amizades: O bem/resolvido/caso/de estarem juntos/homens dispostos” . Contato : loureiro@tribunaonline.com.br .

·                   PRÓ-DONS - Igualmente acuso o recebimento do jornal “Pró-Dons, o jornal da poesia “, editado em Uberlândia, Minas Gerais, por Angelo Augusto Ferreira. O “Pró-Dons..” é um periódico literário que é distribuído gratuitamente . É detentor de muitos prêmios literários e pertence à várias entidades literárias no país. Faz parte do “Projeto Fundação Casa do Poeta de Uberlândia – MG”. Contato: http://www.poetabrasileiro.com.br. Dessa publicação, posto uma quadra : “Quem é plantador de vento/colhe apenas tempestades/não conhece o sentimento/que constrói as amizades”(Antônio Cabral Filho)

·                   ADRIANA VIEIRA -  A minha amiga Adriana Ribeiro Vieira, envia da cidade de Partenon- Poá –RS, dois poemas evangélicos. Desde que se converteu, Adriana dedica sua inspiração para louvar a sua fé. Eis um trecho de Acróstico de Fé, de sua autoria: “ Juiz Fiel,Pai da Eternidade,Príncipe da Paz/Emanuel muitíssimo amado é um Deus forte/Senhor dos Exércitos que tudo sabe e faz/Ungido que na Cruz venceu por nós a morte/Salvação para as almas somente o Senhor traz..”

·                   O MENSAGEIRO - Vindo também do Rio Grande do Sul, mais especificamente da cidade de Porto Alegre, agradeço o envio do “Jornal Cultural Mensageiro”, editado pelo amigo Arthur Filho. O “Mensageiro” é registrado na Biblioteca Nacional e é filiado à FEBAC - Federação Brasileira de Alternativos Culturais. O jornal publica poemas, informações culturais, curiosidades, quadrinhos e a coluna “Escrevinhando” de Almir de Carvalho. Arthur Filho é também proprietário da Editora Opção 2. Contato : Rua Espírito Santo, 232/02 – Porto Alegre- RS – Cep 90010.370. Do jornal ,posto um haikai : “ Sem descanso/os grilos vigiam/ o vazio “ ( Humberto Del Maestro)

·                   “Mesmo entre embates danados e desafio profundo; nós todos somos chamados a transformar este mundo !”(Aloísio Bezerra)  . Por hoje é só, abraços a todos. Paz e poesia !!!



Escrito por Touché às 23h22
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(in)versos  

 

Poetas voam

Poetas deslizam.

Poetam elevam preces aos gênios mansos da tarde.

Poetas ouvem ao longe, o oráculo de Elêusis.

Ardem!

 

Poetas vêem..

Poetas não morrem..

Poetas acreditam em ilusões gemendo em cada canto

Poetas dão-se à mulheres em negro apunhalando prédios alvadios

São tantos !!!!

 

Têm os ouvidos cheios de casos de amor

Estão encantados pela música da lira

(A antiga lira das almas traidoras e dos corações perversos )

Uma sombra, duas sombras, eterno azul,sonhos brilhantes,loura estrela !!

(In)versos !!!

 

touché

touche.sp@uol.com.br



Escrito por Touché às 21h12
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Adeus

Quero estar dizendo adeus

como quem diz

bom – dia

 

Como se a vida fosse

um perene recomeço

que renasce

em mortes passageiras

  

Glenda Maier

Rio de Janeiro

 

(in Poesia Etc & Tal – Oficina Editores – www.oficinaeditores.com.br )

Glenda Maier é cronista, escritora e poetisa. Colabora intensamente com a imprensa alternativa. Organizadora dos concursos : Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja, Boletim Poster e Perfil, Coletânea Perfil, Concurso e Coletânea 400 Anos da Baixada de Jacarepaguá.Edita a publicação “Vivências”)

 



Escrito por Touché às 21h45
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para poeta

angústia não é

aquele lugar

onde se põe um poema triste

angústia de poeta

é quando no vazio

não cabe um poema

 

nilza menezes

in “duas palavras”

caixa postal 38 –78900-000- Rondônia

 

 

por cima do abismo

estende-se minh’alma

tensa como um cabo

onde me equilibro

malabarista de palavras

 

maiakóvski

 *

Poemas extraídos do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP

Contato : touche.sp@uol.com.br )

 



Escrito por Touché às 20h54
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MOARA

 

Nascente memorial de onde brota

A água mais fluída que o corpo comporta:

Ventre_Minucioso inventário

Que descortina todas as margens.

Esse entreabrir do destino inescrutável

Que ostenta a obscura e úmida _

Grota de toda redenção

Conjunção_Ritmo mormente,

Traduzido apenas em sensação.

IAMI_Música do universo_

Dança do coração.

 

ADRIANA MANARELLI

 

Araçatuba, aos 30/04/96

Para minha mãe :INÉZIA

MANARELLI (VALDEREZ)/

dri.manarelli@hotmail.com -

Rua Negi Cury,325 - Pedro Perri

 Araçatuba - SP - CEP 16026.320



Escrito por Touché às 22h08
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JORNADA

 Eis-me aqui, o que restou de mim

depois de uma jornada de trabalho,

Um resto de pessoa, um rebotalho,

cansado e consumido pelo dia.

 

Eis-me aqui, tal como sou, poeta,

sem tempo de viver e sem poesia,

cansado de fabricar imagens falsas

na busca pelo pão de cada dia.

 

Eis-me aqui, tal como sou, um trapo,

me coma, me consuma, consumido,

Vamos juntar nós dois nossos fracassos,

Ajunte o seu cansaço ao meu cansaço,

Que sou teu, comprovado e assumido.

 

Vamos fazer da noite o nosso dia,

O nosso mundo, a nossa fantasia,

A nossa fuga, a forma de viver.

Vamos viver a noite, lado a lado,

Idéias, mentes, corpos abraçados,

Porque amanhã o sol há de nascer

 

Castelo Hanssen

Guarulhos – São Paulo

(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )

 

 

Divergência

 

Quando tua mão feminina

percorrer com carícia meu corpo

estarei em êxtase deliciando-me

a penetrar-lhe a alma.

E em gozo sempre contínuo

juntos unimos a dualidade

do sofrimento e prazer

amor e ódio.

 

Na eterna dissonância entre

o macho e a fêmea.

 

Bené Chaves

ROUBADO do blog  “O Apanhador de Sonhos “ -  http://oapanhadordesonhos.blogspot.com/

Bené Chaves <benechaves[arroba]digizap.com.br>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.

Livros Publicados: a explovisão (contos, 1979) - castelos de areiamar (contos, 1984)

 

 

 



Escrito por Touché às 23h12
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Despedida

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; em será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um côndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso onfuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Rubem Braga
(roubado do blog Sarava Club- 
http://saravaclub.blogspot.com/ )



Escrito por Touché às 22h06
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Poema XV

Gosto quando te calas
porque ficas como ausente,
e me ouves desde longe,
e minha voz não te alcança.
Parece que teus olhos tivessem voado
e parece que um beijo,
te cerrasse a boca.

Como todas as coisas estão cheias
de minha alma...
emerges tu das coisas,
cheia de minha própria alma.
Borboleta de sonhos,
és como minha alma
e te pareces com a palavra melancolia.

Gosto quando calas
porque ficas como ausente,
estás como que se lamentando,
borboleta que sussurras.

Me olhas de longe e minha
voz não te alcança.
Deixa que me cale com teu silêncio.
Deixa que eu também fale com teu silêncio,
Iluminado como uma lâmpada,
simples como uma aliança.

És como a noite quieta e estrelada,
teu silêncio é como uma estrela,
tão distante e singelo.
Gosto quando calas
porque ficas como ausente.
Distante e dolorida como se tivesses morrido.
Uma palavra então,
um sorriso basta.
E já fico feliz,
feliz com aquilo que não é certo.

 

Pablo Neruda  

( extraído de um email enviado por Célia Morgado )

*

Porque Abraço o Mundo

É preciso abraçar o Mundo para não perdê-lo:

Ouvir a sonância e a dissonância de seus povos
conhecer as marcas de suas Terras
e tomar conhecimento da Natureza inteira...
deixar que o nosso coração ritmado
se integre ao ritmo dos fenômenos naturais...

Abraçar o Mundo:
irmanar-se às outras gentes,
assimilar todas as diferenças
e somar pontos às igualdades
das demais Pátrias,
pois todos somos pertencentes à Terra,
semeados no mesmo Cosmos...

Abraçar o Mundo:
festejar as suas festas,
lamentar as suas guerras,
chorar as suas dores e misérias,
sobretudo,caminhar juntos para a verdadeira PAZ!

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

http://clevanedeasas.blogspot.com/

 

(de um email enviado por Rozelia Gaya Rasia )

http://alpasxxi.literatura.zip.net



Escrito por Touché às 00h20
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O Post de hoje é sobre uma publicação da imprensa alternativa, editada por Osael de Carvalho.

                                               O LITERÁRIO

 

Editor : Osael de Carvalho – Caixa Postal 8109 – Rio de Janeiro – RJ – Cep 21032-970 -  Distribuição Gratuita -  Periodicidade mensal - 

 

O Jornal O Literário é uma das mais antigas publicações culturais alternativas, circulando à cerca de 25 anos,  editada em uma folha de papel A-4, impressa de um só lado do papel. Publica principalmente textos curtos , dando preferência à quadras , hai kais , frases, pequenos poemas e algumas imagens. Da sua edição nº 551,  destaco :

 

 

Inverno ; está longe a aurora;

 a noite é fria demais...

Os ventos passam lá fora

 gemendo como chacais.

 

Humberto Del Maestro :

 

         *

Desconfio que a mulher

Tem manias que não temos,

Quando queremos, não quer

E quer quando não queremos

 

João Batista Serra

 

          *

 

  Tanto o Humberto como o João Batista e outros que colaboram com textos para O Literário, são militantes da imprensa alternativa. O Humberto edita o Literatura & Arte e o João Batista é editor de O Patusco, publicações de que trataremos posteriormente.  Digo isso para citar que a imprensa alternativa é unida                                                                                                

 

 

 



Escrito por Touché às 22h18
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LETRA DE MÚSICA É POESIA ?( II)

 

        No artigo “ A Força da união de letra e melodia”, Lauro Lisboa Garcia inicia citando uma cena do documentário Palavra (Em)Cantada  ( direção Helena Solberg) , em que Adriana Calcanhato  desconversa sobre a pergunta : letra de música é poesia ?. “..Adriana diz, bem humorada, que a vida é curta demais para perder tempo com essa discussão. Adriana conviveu e trabalhou em férteis parcerias com Wally Salomão. “.. Lauro prossegue, citando “Vinícius de Moraes, Antonio Cicero, Arnaldo Antunes, Paulo César Pinheiro são outros bons exemplares enfocados no filme. Mas há outros mais que fizeram história na MPB : Torquato Neto, Paulo Leminski, Patativa do Assaré,Abel Silva,Cacaso, Geraldo Carneiro.”

       Para falar sobre o tema, o articulista recorreu a três compositores e uma letrista poeta.

        O compositor Siba diz que : “ Essa discussão é engraçada porque parte do pressuposto de que o que é considerado poesia é a poesia literária. Meu ponto de partida é outro, é o que a gente chama de poesia rimada do Nordeste, que tem uma estética própria. Trabalho para que o texto tenha vida própria, embora muitas vezes esse texto lido perca uma parte do encanto dele que depende do ritmo”.

         A poetisa Alice Ruiz diz : “ O tempo do olho é diferente do tempo do ouvido. Para o ouvido você tem de ter uma coloquialidade de tal forma que a pessoa que te ouve seja envolvida imediatamente”.

          Para o compositor Vitor Ramil “ a letra de música tem de ter uma ação imediata sobre quem ouve. É bom que a ação dela se prolongue no tempo,para que o ouvinte fique refletindo a partir da letra de uma canção. Talvez a poesia possa ser feita um pouco mais desencanada desse tipo de propósito.”

          Outro compositor, Makely Ka, ressalta que uma letra de canção não precisa ser poesia, assim como “bons poemas não necessariamente dão boas letras”

          O crítico Luiz Zanin Oricchio cita a opinião de “ Paulo Cesar Pinheiro, grande letrista :” Quem dirá que alguns versos de Chico Buarque não são poesia ?”. O próprio Chico, na entrevista, confessa que se sente incomodado quando o chamam de poeta. “

            Eis aqui uma letra do grande Chico, para sua análise :

 

A Moça Do Sonho

 

Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar: quem és?
Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó

Por encanto voltou
Cantando a meia voz
Súbito perguntei: quem és?
Mas oscilou a luz
Fugia devagar de mim
E quando a segurei, gemeu
O seu vestido se partiu
E o rosto já não era o seu

Há de haver algum lugar
Um confuso casarão
Onde os sonhos serão reais
E a vida não
Por ali reinaria meu bem
Com seus risos, seus ais, sua tez
E uma cama onde á  noite
Sonhasse comigo
Talvez

Um lugar deve existir
Uma espécie de bazar
Onde os sonhos extraviados
Vão parar
Entre escadas que fogem dos pés
E relógios que rodam pra trás
Se eu pudesse encontrar meu amor
Não voltava
Jamais


( Chico Buarque )

http://www.chicobuarque.com.br/





Escrito por Touché às 22h57
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piTOmbA

   

                            a carne pede o trânsito do fogo
                           
(teu nome, 
                                           reduto de perfumes
)
                                             


mario cezar

(roubadaço do blog Coivara  - http://mariocoivara.blog.uol.com.br)



Escrito por Touché às 22h26
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Esquecimento.

 

Decidi esquecer

no bolso azul do tempo

as cores que usastes

para pintar nosso amor.

Vou viver

em branco e preto.

 

Eliane Alcântara.

http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br/

http://www.elianealcantara.blogger.com.br/

http://elianealcantara.zip.net/

http://www.leituraatualfases.blogger.com.br/

 

***

CONTROLE SEM FRONTEIRAS

 

Século 21

A liberdade é apenas

Uma marca de celular.

 

(Ari 

(email enviado por Paulo Silva - dadazdawa@hotmail.com)



Escrito por Touché às 21h33
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BRUNO PRADO CANTA " PENAS DO TIÊ", ADAPTAÇÃO DE FAGNER



Escrito por Touché às 21h45
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Grito Mudo

 

Grito mudo...

Grito mudo sem rumo...

A todo custo, tenta sair a esmo...

 

Grito mudo, vindo do interior

Sufocado pelo soluço !

Grito mudo sentido nas gotas de lágrimas

Que divergem os sentimentos !

Um sufocado,

E o outro transborda pela face enrubecida

E contraída pela aflição;

Num gesto de punho cerrado, tento em um impulso,

Dar o grito do desabafo...

Mas este permanece mudo !

 

Angelo Macedo

Guarulhos – SP

(in Antologia LetraViva – Sou Voz )

 



Escrito por Touché às 23h01
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LETRA DE MÚSICA É POESIA?

Por Antonio Miranda

Publicado originalmente em CRONÓPIOS:

http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=2667

 

Li por aí alguém afirmando que Chico Buarque não é poeta, é letrista. Em sentido contrário, Paulo Henriques Britto (em Azougue 10 anos, 2004, p. 263, em entrevista a Sergio Cohn), afirma: “As letras de Caetano Veloso, Chico Buarque, Torquato Neto e tantos outros empolgavam-me por ser poesia e falar das coisas e do tempo em que vivia, no tom exato, com as palavras do meu dia-a-dia, tal como os modernistas haviam falado do mundo deles com um vocabulário e uma sintaxe que antes não eram considerados apropriados à poesia. Estes artistas populares significam a minha fala e as minhas vivências .” É bom frisar que Paulo Henriques, além de poeta, é lingüista por formação acadêmica.

 

Os letristas seriam poetas “menores”, as letras constituiriam uma sub-literatura, mal comparando a arte com o artesanato?

Sei não. Ouvindo rádio e assistindo televisão, escutando tantas banalidades... Raps e pagodões maçantes, sertanejos acaramelados, axé baiano e reggae maranhense insossos, rock caseiro e hip-hops repetitivos, dá para entender o preconceito em relação às letras de músicas como poesias. Mas, por exceção, deve haver axé, reggae, pagode e sertanejo de qualidade.

 

Noel Rosa foi ou não foi o poeta da Vila? E que dizer do Cartola? Podemos considerar poeta um Catulo da Paixão Cearense (que era maranhense)?

 Eram sim, foram, são poetas e pronto. Caetano é um poeta!

Caberia, no entanto, em contrapartida, também afirmar que nem todas as letras de Caetano e de Chico podem ser consideradas poesia, mas apenas “letras” de música?

Alguém saiu com essa e eu não tinha uma resposta pronta, e deixo aos leitores o direito de resposta, como ao amigo o direito da dúvida. Na mesma linha de raciocínio, também seria possível afirmar que nem todos os poemas de Drummond ou de Bandeira são, em verdade, poesia. Seria admissível afirmar que alguns poemas de Fernando Pessoa seriam “menores”? Também vou escapar pela tangente...

 

 

“Luar do Sertão” é poesia com ou sem música. Tive a certeza disso, de forma empírica, quando uma amiga estrangeira, especialista em literatura, ficou impressionada com o poema, apesar de singelo. Hoje estudamos os textos de Catulo da Paixão Cearense e de Noel Rosa na academia como autênticos poemas, sem preconceitos, em dissertações e teses doutorais. Melhor ainda quando o estudioso busca a relação entre a música e o poema pois, sem dúvida, deve haver uma complementaridade (ou ampliação de sentido) entre ambos no ato da criação. A poesia, desde suas origens, sempre esteve ligada ao teatro, à música e a outras manifestações culturais.

O que dizer da inteligibilidade e da legibilidade da música e da poesia? O “intérprete” da música (pensemos em Maria Bethânia) costuma esforçar-se para que o ouvinte entenda o sentido (ou o “sentimento”) da letra da música. Pode até cantar à capela, só com a música das palavras no embalo da melodia, sem qualquer acompanhamento instrumental. O cantautor costuma valorizar sobremaneira a mensagem de suas composições tanto quanto o declamador ou o performer em um sarau ou poemashow. No entanto, muitos cantores (medíocres) não atinam para o significado das palavras que cantam e parece que o público ouve e não entende nada... e até gosta! Música sem mensagem explícita, sem significado apreensível, apesar da letra.

 

Por último, antes que eu me esqueça, o que é mesmo poesia? Existem muitos tratados sobre o tema, é assunto para outra ocasião.

 

·         * *

 

Antonio Lisboa Carvalho de Miranda é maranhense nascido em 5 de agosto de 1940..... Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, foi colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e também o La Nación (Buenos Aires, Argentina) e Imagen (Caracas, Venezuela).... Professor e ex-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasil, ministra aulas e cursos por todo o Brasil e países ibero-americanos. Também é consultor em planejamento e arquitetura de Bibliotecas e Centros de Documentação. Exerce atualmente a função de Diretor (interino) da Biblioteca Nacional de Brasilia, desde fevereiro de 2007.Doutor em Ciência da Comunicação (Universidade de São Paulo, 1987), fez mestrado em Biblioteconomia na Loughborough University of Technology, LUT, Inglaterra, 1975.... Sua formação em Bibliotecologia é da Universidad Central de Venezuela, UCV, Venezuela, 1970.....Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília desde março de 2007.

 



 

Para  ilustrar o post, uma  letra(poema?) de Caetano Veloso, inserido no famoso disco de 1970 

 

Acrilírico

Composição: Caetano Veloso/Rogério Duprat

Olhar colírico
Lirios plásticos do campo e do contracampo
Telástico cinemascope teu sorriso tudo isso
Tudo ido e lido e lindo e vindo do vivido
Na minha adolescidade
Idade de pedra e paz

Teu sorriso quieto no meu canto

Ainda canto o ido o tido o dito
O dado o consumido
O consumado
Ato
Do amor morto motor da saudade

Diluído na grandicidade
Idade de pedra
ainda
Canto quieto o que conheço
Quero o que não mereço
O começo
Quero canto de vinda
Divindade do duro totem futuro total
Tal qual quero canto
Por enquanto apenas mino o campo ver-te
Acre e lírico o sorvete
Acrilíco Santo Amargo da Putrificação



Escrito por Touché às 19h41
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visão noturna
 
olhos plastificados detalham espaços indecifráveis de visão noturna.
um sistema de cores quilates
no movimento insólito das vibrações.
pairam esferas num escuro absoluto
entrelaçando olhos
temporários.

adriana zapparoli
http://zeniteblog.zip.net/

*

E como indaga o Mário , no seu blog www.mariocoivara.blog.uol.com.br e aqui,nos comentários : 
qual é mesmo a serventia do poema?



Escrito por Touché às 22h17
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n'zambi, ente infinito existente por si

em pé de abricó, de beijo damascado,

do fruto em pó de sorriso

e mistério, no empório do peito de

brônquio decor, por você...

 

adriana zapparoli

zeniteblog.zip.net

 *

ela

 

pensava que para cada rosto feminino sofrido havia um rosto

masculino sórdido. e para cada rosto feminino feliz, um masculino

sombrio.  e até o contrário acontecia. mas nem isso lhe dava a

 certeza de que era o sexo que condenava as pessoas a serem o que

 eram.
parece que tudo independia de qualquer coisa que não fosse gente.
gente e propriedade.
dois universos distintos, ela sabia.

 

ana peluso

http://laescenadelamemoria.blogspot.com/

 



Escrito por Touché às 21h20
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roubado do blog Poemas Série Curtinhos da amiga Sonia Pallone
http://poemascurtinhos.blogspot.com/



Escrito por Touché às 22h49
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Correspondência Recebida

Gente querida : o post de hoje é sobre algumas correspondências recebidas, de diversas partes do país : Um  feliz fim de semana..

 

·                   Inicio o post com o registro do recebimento da publicação “O Melhor da Poesia Evangélica #3”, editado pelo amigo Sammis Reachers, no Rio de Janeiro  .Desde que se converteu, Sammis se dedicou a divulgar escritores evangélicos e a elaborar poemas com temas religiosos. Dessa publicação, destaco o poema “A Oração”, de Joanyr de Oliveira : “ A oração é uma senda/- por ela sigo, vou longe/ Com ela toco e até movo/ as nobres mãos de meu Deus.// A oração é uma nave/sem casco,timão ou remo/Mas nada tão alto e célere,/e nada mais poderoso..” Outros poemas podem ser conferidos no blog do Sammis : http://www.poesiaevangelica.blogspot.com.

 

·                   De Mato Grosso recebo a publicação “Pantanal Poético”, editado por Benedito C.G.Lima.  Desta ,transcrevo o poema Cantigas, de Hélio Ferreira : “ Meu arco-íris/ de múltiplas cores/ minha menina/minha ciranda/ Nos teus braços, cirandei/ Passarinho vadio/ arisco/ de penas bonitas/ Só a vida me arresponde/ te leva numa cantiga leve/ que ficou no fundo do quintal”. O endereço eletrônico do Lima é beneditocglima@bol.com.br e o endereço do seu blog é http://www.beneditocglima.blogspot.com. 

 

·                   Igualmente acuso o recebimento do jornal O Capital, jornal de resistência ao ordinário, editado em Aracaju, Sergipe, por Ilma Fontes. Em seu editorial, Ilma diz :” Quando você foi embora, eu tinha um pé de  avenca que só faltava falar, de tão presente e viva. Morreu,ninguém sabe como aconteceu, murchou, secou, feneceu. Aliás, como tudo em volta, depois que você me disse adeus.//Quando você foi embora, você botou minhas violetas no sol e na chuva, para que eu nunca mais confiasse um fiapo de vida minha aos seus cuidados. Você deixou bem claro: não te amo mais. Recado lido nas orquídeas assassinas.// Tolice pensar que o amor vive de amor, se nutre de si mesmo e anda com suas próprias pernas.O amor se nutre da seiva das orquídeas,hora ressuscita em fotografias esquecidas,ora pede licença para se recolher e morrer,ora não pede desculpa nem perdão, ora morre mesmo, como as avencas”. Só mesmo um jornal cultural como O Capital, pode se dar ao luxo de ter um poema como esse no editorial !!.

·                   Ainda em O Capital, cito o poema Mas, de Deivid Junio : “ eu escrevo com vermelho sobre vermelho/ risco o chão negro com carvão/e fito o céu azul dentro de teus olhos//fotografo-me dentro do espelho/sigo a reta de uma rota incerta/e ladro mais forte que um cão/mas quando te tenho/risco o chão negro com vermelho/e escrevo com vermelho sobre o carvão”. O Capital ,como já foi dito, é editado por Ilma Fontes. Redação: Av.Ivo do Prado, 948, Aracajú/SE, CEP 49015.070.

 

·                   Vindo do Rio Grande do Sul, mais especificamente da cidade de Santiago, agradeço o envio do jornal Letras Santiaguenses, editado por Auri Antonio Sudati e Zé Lir Madalosso. Dessa publicação, temos o poema Páramo, de Zaira Cantarelli (Porto Alegre- RS):  “Assuntos e críticas/carcomidos às colheradas/com casca e pele//O coração esfolado/é um latifúndio de dores./A vida em rugas/sem cor sabor e aroma/amarga a mesmice/ Antídoto: visitar Clarice/ Cecília e Mário Quintana.”. Páramo obteve o 2º lugar no VI Concurso Aureliano de Poesia. O primeiro lugar foi obtido por Odemir Paim Peres Júnior, com o seu “ Oráculo da calçadas”. O endereço eletrônico da poetisa Zaira é zairacantarelli@yahoo.com.br e o endereço para correspondência do jornal literário Letras Santiaguenses é Caixa Postal 411 – Santiago/RS – CEP 97001.970.

 

·                   “Reconheço-me nas palavras indomáveis, que na primavera evocam flores, nos horizontes singrados de ocasos” ( Denise Beatriz da Silva Reis ) . Por hoje é só, abraços a todos. Paz e poesia !!!



Escrito por Touché às 22h27
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