LETRA DE MÚSICA É POESIA? Por Antonio Miranda Publicado originalmente em CRONÓPIOS: http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=2667
Li por aí alguém afirmando que Chico Buarque não é poeta, é letrista. Em sentido contrário, Paulo Henriques Britto (em Azougue 10 anos, 2004, p. 263, em entrevista a Sergio Cohn), afirma: “As letras de Caetano Veloso, Chico Buarque, Torquato Neto e tantos outros empolgavam-me por ser poesia e falar das coisas e do tempo em que vivia, no tom exato, com as palavras do meu dia-a-dia, tal como os modernistas haviam falado do mundo deles com um vocabulário e uma sintaxe que antes não eram considerados apropriados à poesia. Estes artistas populares significam a minha fala e as minhas vivências .” É bom frisar que Paulo Henriques, além de poeta, é lingüista por formação acadêmica. Os letristas seriam poetas “menores”, as letras constituiriam uma sub-literatura, mal comparando a arte com o artesanato? Sei não. Ouvindo rádio e assistindo televisão, escutando tantas banalidades... Raps e pagodões maçantes, sertanejos acaramelados, axé baiano e reggae maranhense insossos, rock caseiro e hip-hops repetitivos, dá para entender o preconceito em relação às letras de músicas como poesias. Mas, por exceção, deve haver axé, reggae, pagode e sertanejo de qualidade. Noel Rosa foi ou não foi o poeta da Vila? E que dizer do Cartola? Podemos considerar poeta um Catulo da Paixão Cearense (que era maranhense)? Eram sim, foram, são poetas e pronto. Caetano é um poeta!
Caberia, no entanto, em contrapartida, também afirmar que nem todas as letras de Caetano e de Chico podem ser consideradas poesia, mas apenas “letras” de música? Alguém saiu com essa e eu não tinha uma resposta pronta, e deixo aos leitores o direito de resposta, como ao amigo o direito da dúvida. Na mesma linha de raciocínio, também seria possível afirmar que nem todos os poemas de Drummond ou de Bandeira são, em verdade, poesia. Seria admissível afirmar que alguns poemas de Fernando Pessoa seriam “menores”? Também vou escapar pela tangente... “Luar do Sertão” é poesia com ou sem música. Tive a certeza disso, de forma empírica, quando uma amiga estrangeira, especialista em literatura, ficou impressionada com o poema, apesar de singelo. Hoje estudamos os textos de Catulo da Paixão Cearense e de Noel Rosa na academia como autênticos poemas, sem preconceitos, em dissertações e teses doutorais. Melhor ainda quando o estudioso busca a relação entre a música e o poema pois, sem dúvida, deve haver uma complementaridade (ou ampliação de sentido) entre ambos no ato da criação. A poesia, desde suas origens, sempre esteve ligada ao teatro, à música e a outras manifestações culturais. O que dizer da inteligibilidade e da legibilidade da música e da poesia? O “intérprete” da música (pensemos em Maria Bethânia) costuma esforçar-se para que o ouvinte entenda o sentido (ou o “sentimento”) da letra da música. Pode até cantar à capela, só com a música das palavras no embalo da melodia, sem qualquer acompanhamento instrumental. O cantautor costuma valorizar sobremaneira a mensagem de suas composições tanto quanto o declamador ou o performer em um sarau ou poemashow. No entanto, muitos cantores (medíocres) não atinam para o significado das palavras que cantam e parece que o público ouve e não entende nada... e até gosta! Música sem mensagem explícita, sem significado apreensível, apesar da letra.
Por último, antes que eu me esqueça, o que é mesmo poesia? Existem muitos tratados sobre o tema, é assunto para outra ocasião. · * * Antonio Lisboa Carvalho de Miranda é maranhense nascido em 5 de agosto de 1940..... Membro da Academia de Letras do Distrito Federal, foi colaborador de revistas e suplementos literários como o Suplemento Dominical do Jornal do Brasil e também o La Nación (Buenos Aires, Argentina) e Imagen (Caracas, Venezuela).... Professor e ex-coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasília, Brasil, ministra aulas e cursos por todo o Brasil e países ibero-americanos. Também é consultor em planejamento e arquitetura de Bibliotecas e Centros de Documentação. Exerce atualmente a função de Diretor (interino) da Biblioteca Nacional de Brasilia, desde fevereiro de 2007.Doutor em Ciência da Comunicação (Universidade de São Paulo, 1987), fez mestrado em Biblioteconomia na Loughborough University of Technology, LUT, Inglaterra, 1975.... Sua formação em Bibliotecologia é da Universidad Central de Venezuela, UCV, Venezuela, 1970.....Diretor da Biblioteca Nacional de Brasília desde março de 2007.
Para ilustrar o post, uma letra(poema?) de Caetano Veloso, inserido no famoso disco de 1970 Acrilírico Composição: Caetano Veloso/Rogério Duprat Olhar colírico Lirios plásticos do campo e do contracampo Telástico cinemascope teu sorriso tudo isso Tudo ido e lido e lindo e vindo do vivido Na minha adolescidade Idade de pedra e paz
Teu sorriso quieto no meu canto
Ainda canto o ido o tido o dito O dado o consumido O consumado Ato Do amor morto motor da saudade
Diluído na grandicidade Idade de pedra ainda Canto quieto o que conheço Quero o que não mereço O começo Quero canto de vinda Divindade do duro totem futuro total Tal qual quero canto Por enquanto apenas mino o campo ver-te Acre e lírico o sorvete Acrilíco Santo Amargo da Putrificação
Escrito por Touché às 19h41
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n'zambi, ente infinito existente por si em pé de abricó, de beijo damascado, do fruto em pó de sorriso e mistério, no empório do peito de brônquio decor, por você... adriana zapparoli zeniteblog.zip.net * ela 
pensava que para cada rosto feminino sofrido havia um rosto masculino sórdido. e para cada rosto feminino feliz, um masculino sombrio. e até o contrário acontecia. mas nem isso lhe dava a certeza de que era o sexo que condenava as pessoas a serem o que eram. parece que tudo independia de qualquer coisa que não fosse gente. gente e propriedade. dois universos distintos, ela sabia. ana peluso http://laescenadelamemoria.blogspot.com/
Escrito por Touché às 21h20
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Correspondência Recebida
Gente querida : o post de hoje é sobre algumas correspondências recebidas, de diversas partes do país : Um feliz fim de semana..
· Inicio o post com o registro do recebimento da publicação “O Melhor da Poesia Evangélica #3”, editado pelo amigo Sammis Reachers, no Rio de Janeiro .Desde que se converteu, Sammis se dedicou a divulgar escritores evangélicos e a elaborar poemas com temas religiosos. Dessa publicação, destaco o poema “A Oração”, de Joanyr de Oliveira : “ A oração é uma senda/- por ela sigo, vou longe/ Com ela toco e até movo/ as nobres mãos de meu Deus.// A oração é uma nave/sem casco,timão ou remo/Mas nada tão alto e célere,/e nada mais poderoso..” Outros poemas podem ser conferidos no blog do Sammis : http://www.poesiaevangelica.blogspot.com. · De Mato Grosso recebo a publicação “Pantanal Poético”, editado por Benedito C.G.Lima. Desta ,transcrevo o poema Cantigas, de Hélio Ferreira : “ Meu arco-íris/ de múltiplas cores/ minha menina/minha ciranda/ Nos teus braços, cirandei/ Passarinho vadio/ arisco/ de penas bonitas/ Só a vida me arresponde/ te leva numa cantiga leve/ que ficou no fundo do quintal”. O endereço eletrônico do Lima é beneditocglima@bol.com.br e o endereço do seu blog é http://www.beneditocglima.blogspot.com. · Igualmente acuso o recebimento do jornal O Capital, jornal de resistência ao ordinário, editado em Aracaju, Sergipe, por Ilma Fontes. Em seu editorial, Ilma diz :” Quando você foi embora, eu tinha um pé de avenca que só faltava falar, de tão presente e viva. Morreu,ninguém sabe como aconteceu, murchou, secou, feneceu. Aliás, como tudo em volta, depois que você me disse adeus.//Quando você foi embora, você botou minhas violetas no sol e na chuva, para que eu nunca mais confiasse um fiapo de vida minha aos seus cuidados. Você deixou bem claro: não te amo mais. Recado lido nas orquídeas assassinas.// Tolice pensar que o amor vive de amor, se nutre de si mesmo e anda com suas próprias pernas.O amor se nutre da seiva das orquídeas,hora ressuscita em fotografias esquecidas,ora pede licença para se recolher e morrer,ora não pede desculpa nem perdão, ora morre mesmo, como as avencas”. Só mesmo um jornal cultural como O Capital, pode se dar ao luxo de ter um poema como esse no editorial !!. · Ainda em O Capital, cito o poema Mas, de Deivid Junio : “ eu escrevo com vermelho sobre vermelho/ risco o chão negro com carvão/e fito o céu azul dentro de teus olhos//fotografo-me dentro do espelho/sigo a reta de uma rota incerta/e ladro mais forte que um cão/mas quando te tenho/risco o chão negro com vermelho/e escrevo com vermelho sobre o carvão”. O Capital ,como já foi dito, é editado por Ilma Fontes. Redação: Av.Ivo do Prado, 948, Aracajú/SE, CEP 49015.070. · Vindo do Rio Grande do Sul, mais especificamente da cidade de Santiago, agradeço o envio do jornal Letras Santiaguenses, editado por Auri Antonio Sudati e Zé Lir Madalosso. Dessa publicação, temos o poema Páramo, de Zaira Cantarelli (Porto Alegre- RS): “Assuntos e críticas/carcomidos às colheradas/com casca e pele//O coração esfolado/é um latifúndio de dores./A vida em rugas/sem cor sabor e aroma/amarga a mesmice/ Antídoto: visitar Clarice/ Cecília e Mário Quintana.”. Páramo obteve o 2º lugar no VI Concurso Aureliano de Poesia. O primeiro lugar foi obtido por Odemir Paim Peres Júnior, com o seu “ Oráculo da calçadas”. O endereço eletrônico da poetisa Zaira é zairacantarelli@yahoo.com.br e o endereço para correspondência do jornal literário Letras Santiaguenses é Caixa Postal 411 – Santiago/RS – CEP 97001.970. · “Reconheço-me nas palavras indomáveis, que na primavera evocam flores, nos horizontes singrados de ocasos” ( Denise Beatriz da Silva Reis ) . Por hoje é só, abraços a todos. Paz e poesia !!!
Escrito por Touché às 22h27
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