(in)versos  

 

Poetas voam

Poetas deslizam.

Poetam elevam preces aos gênios mansos da tarde.

Poetas ouvem ao longe, o oráculo de Elêusis.

Ardem!

 

Poetas vêem..

Poetas não morrem..

Poetas acreditam em ilusões gemendo em cada canto

Poetas dão-se à mulheres em negro apunhalando prédios alvadios

São tantos !!!!

 

Têm os ouvidos cheios de casos de amor

Estão encantados pela música da lira

(A antiga lira das almas traidoras e dos corações perversos )

Uma sombra, duas sombras, eterno azul,sonhos brilhantes,loura estrela !!

(In)versos !!!

 

touché

touche.sp@uol.com.br



Escrito por Touché às 21h12
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Adeus

Quero estar dizendo adeus

como quem diz

bom – dia

 

Como se a vida fosse

um perene recomeço

que renasce

em mortes passageiras

  

Glenda Maier

Rio de Janeiro

 

(in Poesia Etc & Tal – Oficina Editores – www.oficinaeditores.com.br )

Glenda Maier é cronista, escritora e poetisa. Colabora intensamente com a imprensa alternativa. Organizadora dos concursos : Concurso Nacional de Poesia Francisco Igreja, Boletim Poster e Perfil, Coletânea Perfil, Concurso e Coletânea 400 Anos da Baixada de Jacarepaguá.Edita a publicação “Vivências”)

 



Escrito por Touché às 21h45
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para poeta

angústia não é

aquele lugar

onde se põe um poema triste

angústia de poeta

é quando no vazio

não cabe um poema

 

nilza menezes

in “duas palavras”

caixa postal 38 –78900-000- Rondônia

 

 

por cima do abismo

estende-se minh’alma

tensa como um cabo

onde me equilibro

malabarista de palavras

 

maiakóvski

 *

Poemas extraídos do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP

Contato : touche.sp@uol.com.br )

 



Escrito por Touché às 20h54
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MOARA

 

Nascente memorial de onde brota

A água mais fluída que o corpo comporta:

Ventre_Minucioso inventário

Que descortina todas as margens.

Esse entreabrir do destino inescrutável

Que ostenta a obscura e úmida _

Grota de toda redenção

Conjunção_Ritmo mormente,

Traduzido apenas em sensação.

IAMI_Música do universo_

Dança do coração.

 

ADRIANA MANARELLI

 

Araçatuba, aos 30/04/96

Para minha mãe :INÉZIA

MANARELLI (VALDEREZ)/

dri.manarelli@hotmail.com -

Rua Negi Cury,325 - Pedro Perri

 Araçatuba - SP - CEP 16026.320



Escrito por Touché às 22h08
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JORNADA

 Eis-me aqui, o que restou de mim

depois de uma jornada de trabalho,

Um resto de pessoa, um rebotalho,

cansado e consumido pelo dia.

 

Eis-me aqui, tal como sou, poeta,

sem tempo de viver e sem poesia,

cansado de fabricar imagens falsas

na busca pelo pão de cada dia.

 

Eis-me aqui, tal como sou, um trapo,

me coma, me consuma, consumido,

Vamos juntar nós dois nossos fracassos,

Ajunte o seu cansaço ao meu cansaço,

Que sou teu, comprovado e assumido.

 

Vamos fazer da noite o nosso dia,

O nosso mundo, a nossa fantasia,

A nossa fuga, a forma de viver.

Vamos viver a noite, lado a lado,

Idéias, mentes, corpos abraçados,

Porque amanhã o sol há de nascer

 

Castelo Hanssen

Guarulhos – São Paulo

(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )

 

 

Divergência

 

Quando tua mão feminina

percorrer com carícia meu corpo

estarei em êxtase deliciando-me

a penetrar-lhe a alma.

E em gozo sempre contínuo

juntos unimos a dualidade

do sofrimento e prazer

amor e ódio.

 

Na eterna dissonância entre

o macho e a fêmea.

 

Bené Chaves

ROUBADO do blog  “O Apanhador de Sonhos “ -  http://oapanhadordesonhos.blogspot.com/

Bené Chaves <benechaves[arroba]digizap.com.br>, natalense, é escritor-poeta e crítico de cinema.

Livros Publicados: a explovisão (contos, 1979) - castelos de areiamar (contos, 1984)

 

 

 



Escrito por Touché às 23h12
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Despedida

E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.

Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; em será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um côndito despeito.

E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso onfuso sonho?

Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.

Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada. Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus.

A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.

Rubem Braga
(roubado do blog Sarava Club- 
http://saravaclub.blogspot.com/ )



Escrito por Touché às 22h06
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