TOTEM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ébano e marfim

Manipulando ouro.

Oscilações

(Im)perfeitas

Dominações

Inflamáveis.

Perplexos deslumbramentos

Barro,prata e pó.

Tribuna,aura e leito,

Três pássaros banindo o só .

Trincheira condescendente

Sacro,profano, atemporal.

Colostro-colosso-ônix

Dies:Van e Tau.

Repouso adejando o eito

Afaga Amata

O negro cipó.

A fada maga

A branca nata

A rama dourada

Lambendo o só.

Então as pedras,após o zaino

A cratera pálida_E o dó?

A alba incauta e o filho pródigo:nó.

 

( P/ André Luís Pires de Souza)

 

Adriana Manarelli

dri.manarelli@hotmail.com

dri.manarelli@bol.com.br

 

Rua Negi Cury,325 - Pedro Perri - Araçatuba - SP - CEP 16026.320

 

 



Escrito por Touché às 23h52
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Mais um poema do Castelo, do livro mencionado no post anterior... Grato pelos comentários e sugestões...

Utopia

 

Aquela estrela é minha

Aquela, pequenina,

Na esquina do Universo, escondidinha.

 

Eu, que não tenho nada além dos meus chinelos,

Além dos meus poemas, além dos meus anseios,

Sou feliz proprietário de uma estrela,

Uma que eu inventei, e para vê-la,

Fecho os olhos na hora de sonhar.

 

Aquela estrela é minha, senhores astronautas,

Vagabundos do espaço de ninguém:

Cuidado, ela é frágil, assim como meus versos,

Astrônomos, que fuxicai pelo Universo,

Se um dia descobrirem essa estrela,

Ela tem nome, chama-se Utopia.

 

Aquela estrela é minha, senhor Deus,

Que pastoreais nuvens no Infinito,

E que semeais sóis e tempestades

Não leves a mal a pretensão do poeta,

Mas, aquela estrela, ainda que feia, é minha,

Não faz parte do elenco dos teus astros,

Eu a fiz com as mãos, o sonho, o coração.

 

Aquela estrela é minha, senhoras e senhores

E,quem quiser passear na minha estrela,

Numa tarde qualquer, de chuva ou sol,

É só me dar as mãos, ser meu amigo,

Compreender minhas incompreensões,

E caminhar comigo.

 

Mas não reparem se, de madrugada,

Não houver mais estrelas nem mais nada

É que ,às vezes,acordo maldormido,

Oprimido, homem e pingente,

E minha estrela, triste, vai embora,

E só regressa numa nova aurora,

Quando eu volto a ser gente..

 

Castelo Hanssen

Guarulhos – São Paulo

(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )



Escrito por Touché às 22h11
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POETAS DE GUARULHOS 

L I V R O S

A CANÇÃO  PRO SOL VOLTAR

 

O post de hoje é novamente sobre um dos Poetas de Guarulhos. Nesse caso, o escritor e jornalista Castelo Hanssen e seu livro “Canção pro Sol Voltar “. Esse livro teve duas edições : uma em 1983, pela Edições Mariposa, Mauá, SP, com capa desenhada pelo poeta Antenor Ferreira Lima. A segunda edição aconteceu em 2000, através da Editora do Escritor Luz e Silva Editor- São Paulo, com capa elaborada por Rogério Aguiar Hanssen e Osvaldo Ferreira Alves.

 

O livro foi prefaciado por Ernesto dos Santos Milagre, que entre outras coisas diz :“ Canção Pro Sol Voltar” é a vida do poeta Castelo Hanssen em prosa e verso, que se mistura com a nossa vida de sonhos, desejos, medos, tristeza, solidão e desesperança.” E por Valdir Carleto, também jornalista e proprietário do jornal guarulhense  “‘Olho Vivo”. Na primeira edição do livro , o prefácio foi feito por Aristides Theodoro.

 

O poeta oferece a obra aos seus pais e aos companheiros de jornada, isto é, os poetas marginais da sua geração e a todos que fizeram da vida uma poesia..

 

AMOSTRA GRÁTIS

CORGUINHO

 

O pobre corguinho que canta na serra,

Que corre, que corre, sem nunca cansar,

Pobre Corguinho, é tão pequeninho,

Mas, para mim, é “mais maior” que o mar.

 

Ele, para mim, é bem maior que tudo,

É grande,grande, como um coração,

É o coração feliz e bom da serra,

Da minha terra, do meu grande chão.

 

Pobre Corguinho, é bem maior que o mar,

Porque é bom, porque é cantor dolente,

Não ruge como o mar e não se zanga,

É humilde e pobre como a minha gente.

 

Corguinho bom que Deus criou na serra,

Que Deus criou cantando uma toada

Naquele dia, Deus estava alegre,

Criou o mundo e não criou mais nada

 

E foi dormir, contente deste mundo

Tinha criado a serra benfazeja,

Tinha criado a mata, os passarinhos,

Tinha criado a toada sertaneja.

 

Corguinho bom, que vai descendo a serra

Sem ambição, sem orgulho e sem nada

Tudo o que tem vai entregar ao mar

E morre feliz, cumprida a sua jornada

 

Quando eu encontro alguém falando grosso,

Quando um grande despreza um pequenino,

Eu me lembro do mar, que ronca e bufa,

E tudo o que ele tem deve ao corguinho...

 

Castelo Hanssen

Guarulhos – São Paulo

(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )

 

 



Escrito por Touché às 22h23
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Teatro dos Vampiros

Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...

E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos

Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos...

Vamos sair!
Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos
Estão, procurando emprego...
Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Vamos lá, tudo bem!
Eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas
Possam se encontrar...

Quando me vi
Tendo de viver
Comigo apenas
E com o mundo
Você me veio
Como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito...

Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo
E não consegui dormir...

Vamos sair!
Mas estamos sem dinheiro
Os meus amigos todos
Estão, procurando emprego...
Voltamos a viver
Como a dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Vamos lá, tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia

Comparamos nossas vidas
E mesmo assim
Não tenho pena de ninguém...

Renato Russo



Escrito por Touché às 21h33
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