POETAS DE GUARULHOS - LIVROS

 

No post de hoje, alguns poemas de uma das coletâneas da Academia Guarulhense de Letras

 ACADEMIA GUARULHENSE DE LETRAS – AMOSTRAGEM LITERÁRIA

Vários autores

 

O livro, publicado na ocasião do Centenário da Emancipação Política de Guarulhos , traz obras dos escritores de Guarulhos pertencentes a Academia Guarulhense de Letras  . Foi editado pelas Artes Gráficas Guaru S/A, sem prefácio ou apresentação , porém , com biografias dos acadêmicos.

 

Na contra capa do livro, consta a formação da A.G.L. da época, quando o presidente era Gasparino José Romão.

 

Participam da coletânea , os seguintes escritores : Adolfo de Vasconcelos Noronha, Aristides Castelo Hannsen, Flávio Cleto Giovanni Trombetti, Gasparino José Romão,Mons. Geraldo Penteado de Queiroz, Hildebrando de Arruda Cotrim, Irineu de Castro Andrade, Dr. João Ranali, José Maurício Vieira, Laerte Romualdo de Souza, Milton Luiz Ziller, Néfi Tales, Norlândio Meirelles de Almeida, Onofre Leite, Oscar Gonçalves, Sylvio Ourique Fragoso.

 

 

­­­*

Amostra Grátis

 

PRÁXIS

 

Era um louco metido a cientista,

Que fazia pesquisa alucinada,

Buscando a glória vã de uma conquista

Universal, que sempre dava em nada.

 

A meditar na cela de um hospício,

O cigarro crestava-lhe seus dedos,

Enquanto, em baforadas de suplício,

A fumaça compunha mil enredos.

 

O  louco, certo dia, após o ensalmo,

Pediu ao zelador do manicômio

Uma fitinha elástica, de um palmo,

Prá fugaz medição de um polinômio.

 

E soprando as volutas do seu fumo,

Vendo a composição de mil fantasmas,

Corria saltitante no seu rumo,

A mensurar quiméricos miasmas...

 

Era a força do acaso ou do destino !...

Esse infeliz, numa agonia aflita,

Ora premindo, ora espichando a fita,

No extremo desatino

Dos requebros num baile dos apaches,

Acabava, afinal, por descobrir a práxis !

 

Adolfo de Vasconcelos Noronha

 

 

EU OUÇO UMA VOZ CANTANDO LÁ FORA

 

Na calada da noite, eu ouço, no silêncio,

Uma voz cantando lá fora...

Paro e escuto aquela voz melodiosa,

Cantando lá fora...

Parece-me a voz dela cantando,

Há muito tempo, para mim.

Não suporto escutar apenas.

Abro a janela do meu quarto,

E solitário, escuto aquela voz

Que, pouco a pouco, vai se distanciando,

Sumindo-se na distância sem fim,

Das longas encruzilhadas.

 

É a voz dela , eu sei, cantando

Para mim no tempo distante

Que a saudade, que nunca me deixou

Trouxe de longe, do passado

Que se perdeu no tempo

E nunca, nunca mais voltou

 

Gasparino José Romão

 

 



Escrito por Touché às 00h12
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absurda mente inquieta:

são poliquetas abissais

sésseis, em sistema de convés

e meta de ternura.

 

adriana zapparoli

zeniteblog.zip.net

 

O crítico André Dick diz que os poemas de Adriana mantém “ um diálogo com um certo “desregramento de sentidos” de Rimbaud, ou seja, não é possível esperar uma leitura previsível em seus versos.”

*

Teoria escolhida

 

Deve ser estranho

preferir viver

na imundície e embrulhado em folhas

plásticas

 

Escolhendo restos

de alimentos

sobre montes de lixos

trazidos pelos caminhões,

e vendendo sacos plásticos

de shopping para reciclagem.

 

Deve se estranho

preferir morrer

assim tão jovem.

 Rob Walker

Tradução: Guilhermo Favaro Pez

O Poeta :  Rob Walker, australiano de Adelaide, poeta, no convés da fragata desde 1953, tem poemas publicados em jornais, em antologias poéticas e em diversos sites na Internet. Tem, também, publicado seus trabalhos por outros meios em vários países, tais como: Inglaterra, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá e Estados Unidos. Seus poemas foram incluídos na antologia “Os Melhores Poemas Australianos”, publicada em 2005. Walker também ensina música e dramaturgia em uma escola primária da cidade de Adelaide....( poema enviado por email pelo amigo Efraim )

 

 

 

 



Escrito por Touché às 20h09
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Correspondências Recebidas

 

O post de hoje é novamente, sobre algumas correspondências recebidas :

 

·                   MEYA PALAVRA -  Inicio o post com o registro do recebimento  do jornal “Meya Palavra”, editado por Deusdedit Rocha, em Fortaleza. O jornal divulga pequenos poemas, principalmente trovas e quadras, dos poetas aniversariantes do mês. É desse jornal , o poema Dualidade, de Walmor  Dario S. Colmenero, de Santos, SP  :  “ Somos sem medo, o sonho e o degredo, em um só poema. “  Contato : Deusdedit Rocha – Rua João Cordeiro, 1991- aptº 101-B – Cep 60.110.301- Fortaleza- CE. ( O Walmor, mantém, junto com sua namorada Eunice Mendes, o site Poetizando. http://www.revistapoetizando.blogspot.com)

·                    O PATUSCO -  Mais uma publicação alternativa recebida: dessa vez é o jornal “O Patusco”, vindo de Caucaia/CE, editado por João Batista Serra. O Patusco também publica pequenos textos, poemas, contos, informações. Do Patusco, transcrevo esta trova, de Pedro Grilo : “ No vôo da imaginação/em devaneios imerso/na lira da inspiração/ o trovador tange – o verso !..” . Contato : João Batista Serra – Caixa Postal 95 – Caucaia – CE – Cep 61.600-000

·                   ANDERSON COSTA  - Igualmente acuso o recebimento de uma carta do amigo Anderson Alves Costa, de Osório/RS. Anderson me enviou vários poemas, entre eles, este, chamado “Sem Retorno” : “ Navego por olhares entardecidos/Que, além do horizonte/ Perdem-se/ No silêncio das primeiras plumas noturnas/ Abandonado no albergue dos finitos/Ao repuxo do tempo/ Entrego-me em vão.”

·                   LUIZ BALTHAZAR -  Baltazhar me enviou, alguns poemas do seu livro “Conteúdos”. Entre eles, este, chamado “Poema Nú” : “ Penumbra de sombras/ao amanhecer sem sol./Miséria saída do submundo/muda e contemplativa/sonhando com ilusões/ às cegas pelas ruas./Uma canção de mortos”. De Barbacena/MG

·                   ALMIR DE CARVALHO - Vinda do Rio de Janeiro, uma carta de Almir de Carvalho, com alguns hai-cais: “Praia bem deserta/Espuma e areia se encontram/em beijos eternos”.  (almirdecarvalho@yahoo.com.br)

·                   “..A obediência sem critérios, torna o homem idiota ”(Djanira Pio )  . Por hoje é só, abraços a todos. Paz e poesia !!!

 



Escrito por Touché às 21h58
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VariaVereda

 

 

E o sol veio domingo de requinte

Inda alindavam-se morros de sereno

Ventinho desses brandos tom ameno

Manhã toda de luz quase um acinte

 

Na estrada uma charrete perseguia

Carregando família impertigada

No Vilar missa de ano anunciada

Em paisagem comum se acontecia

 

Missa rezada obrigação cumprida

Marido indo cuidar coisas da lida

E mãe fez-se visita nuns parentes

 

Dia nadou entre prosas e escambo

Voltavam quando dia ia zambo

E tarde debruçava-se entrementes  

 

 

Irineu Volpato

São Paulo

(in VARIAVEREDA – Renard Edições  )

http://www.revista.agulha.nom.br/ivolpato.html

http://recantodasletras.uol.com.br/entrevistas/804767

 

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imóvel

 

Ela sorria em todas as fotos

dos velhos melhores dias.

Imóvel na alegria

dos seus dias coloridos

 

touché

touche.sp@uol.com.br

 



Escrito por Touché às 20h04
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VERSOS LIVRES

 

Olá ! Mais um post sobre o fanzine Versos Livres, dedicado à divulgação de poemas e pequenos textos, que eu edito há algum tempo. Já postei aqui poemas extraídos dos nºs 1a 8.

 

O número 9 do Versos Livres , trazia na capa uma letra de rap, do Grupo Ataliba e a Firma.. (http://www.youtube.com/watch?v=EeEJsvqqcqA). O informativo ainda vinha com Editorial e aqui o Editorial falava sobre a imprensa alternativa.

 

Trazia poemas de Olavo Bilac, Lari Franceschetto ( R.S), Djanira Pio,(SP), Doroni Hilgenberg (AM), Ziney Santos Moreira(SP), Marina de Fátima Dias (MS), do genial Robert Creley , João César Flores (RS), Luiz Fernandes da Silva (PB), Claúdio Manoel da Costa (sim, o inconfidente ), Florbela Espanca, Francisco Ferreira (PI), Bento Mioto, Elisa Zanoto (SP),  Rubens (Guarulhos), Vilmar José Matter (MG), Rose de Arruda(MT), Thiago de Mello,  Adriana R. Vieira(RS), Dôra Leal (MG), Maira Angélica F.Araújo (RS), Wellington de Souza (RJ),Andréa Carvalho(MG), e terminava com um poema de Cassiano Ricardo, que também já postei neste blog.

 

* * *

AMOSTRA GRÁTIS

 

Certos Ecos

 

Certos ecos

pequenas peças,

se depondo, pó

brilho de sol, pela

janela, nos

olhos. Seus

cabelos enquanto

você os pen-

teia, luz

atrás dos

olhos,

o que ficou de tudo

 

ROBERT CREELEY

________________

 

Quem deixa o trato pastoril amado 

Pela ingrata civil correspondência

Ou desconhece o rosto da violência

Ou do retiro a paz não tem provado.

 

Que bom é ver  nos campos transladado

No gênio do pastor,o da inocência !

E que mal é no trato,e na aparência

Ver sempre o cortesão dissimulado !

 

Ali respira amor, sinceridade :

aqui  sempre a traição seu rosto encobre

Um só trata a mentira,outro a verdade.

 

Ali não há fortuna que soçobre ,

Aqui tanto se  observa, é variedade :

Oh ventura do rico ! Oh bem do pobre !

 

CLAÚDIO MANOEL DA COSTA

 

Poemas extraídos do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP

Contato : touche.sp@uol.com.br )

 

 



Escrito por Touché às 22h36
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