IMPRENSA ALTERNATIVA

POSTAL CLUBE – O JORNALZINHO

Informativo bimestral do Postal Clube

(Amizade com Poesia)

http://www.imagina.com.br/postalclube/

 

AMOSTRA

Grátis

Sou simples e nada afeta

Os meus costumes banais,

Mas me orgulho em ser poeta

Escrevendo madrigais

 

Humberto Del Maestro

______________

 

Poeta é alguém que procura

Iluminar tudo e nada,

Baseado na arquitetura

Das nuvens da madrugada !

 

Suave lua se eleva

E um doce véu se desata,

Vestindo a nudez da treva

Com leves sonhos de prata !

 

Eno Theodoro Wanke

-

SE DEUS ME DESSE

 

Se Deus me desse o dom

De meus versos improvisar

Me sentiria um mestre

Na arte de versejar.

Um poeta de mão cheia

Preso livre da cadeia

Um menestrel ao luar.

 

Conversar com rimas quentes,

Qual o poeta cantador

De meu sofrido Nordeste

Mas sempre cheio de amor.

Ah, meu Deus, que bom seria,

Respirar só poesia

Neste mundão de horror..

 

Arlindo Nóbrega



Escrito por Touché às 21h33
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IMPRENSA ALTERNATIVA

POSTAL CLUBE – O JORNALZINHO

Informativo bimestral do Postal Clube

(Amizade com Poesia)

http://www.imagina.com.br/postalclube/

 

O Postal Clube é um informativo dos sócios do Postal Clube, editado por Araci Barreto da Costa. Com registro no Escritório de Direitos Autorais do Ministério da Cultura nº 106935 Livro 157/fls. 91.

 

A publicação traz frases, poemas , contos, crônicas, relação dos aniversariantes , divulgação de livros e jornais da imprensa alternativa , divulgação de concursos e eventos literários.

 

A história da publicação e maiores informações estão na página  do Postal Clube na web, no endereço http://www.imagina.com.br/postalclube/

 

 

Uma parede

O homem foi, com os outros, pegar tijolos caídos do caminhão, pelo excesso de carga, no acostamento da via carroçável.

Em casa, ajudado por vizinhos como ele, pobres, ergueu uma parede em seu barraco. As crianças observaram curiosas. Aprendiam. Depois, a mãe falou  : “ – Agora eu tenho uma parede de verdade ! “. Os olhos do homem marejaram, mas ninguém reparou.  [Djanira Pio]

 



Escrito por Touché às 21h34
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ANTICABEÇA


apartado de mim; ferocidade;

essa matéria do olhar

atravessando folhas;

cegasse o vento reptante:

replicantes jias, alinhavando deserções.

esses breus, seara difratada

onde retráteis

garras do ínfero.

ao modo de borrão: ambíguo

desgarre, em acúmulo

áspero de grafias.

escavasse desde o centro

em desmedida,

e anulasse as cores da paisagem.

 

.......................

 

ambivalência do inseto

que se desenha íbis,

amêijoa, escaravelho,

folhas ou fíbulas, fúrias ou órbitas

insustentáveis

de outra orla, outro círculo

plasmático. tudo está

no dorso da pupila.

 

Claudio Daniel

 (Do Blog  Pele de Lontra -  http://peledelontra.zip.net)


Sobre o excelente blog do Claúdio, vale a pena transcrever o que ele escreveu no Pele de Lontra IV : “ Caros, há poucos dias escrevi, respondendo ao comentário de um leitor, que “procuro usar o espaço da Pele de Lontra para divulgar o trabalho de autores novos, que em geral nunca serão resenhados na seção Rodapé da Folha de S. Paulo. Isto não quer dizer que eu deseje unanimidade (que é sempre burra, como dizia Nelson Rodrigues). Acho importante abrir espaços de discussão na mídia alternativa, como a internet, para que possamos analisar criticamente, de modo argumentativo, a produção dos mais novos. É isto o que se espera da crítica séria: critérios de escolha e argumentação. E justamente isso é o que falta nos cadernos culturais da imprensa diária, que apenas louvam os nomes consagrados pelo establishment rumoroso e silenciam em relação aos demais. É contra isto que eu sempre lutei e continuarei lutando, aceitando pagar o preço pela dissidência”. Nesse mesmo comentário, feito a respeito da publicação de um poeta jovem aqui no blog, disse, mais adiante: “Voltando a tuas mensagens, são sempre bem-vindas, escreva quando quiser. Sempre aprovo mensagens críticas quando sei que são sinceras e sem intenção agressiva; as poucas mensagens que recusei publicar até hoje eram ofensivas. Discussão de idéias é outra coisa, e a Pele de Lontra sempre esteve aberta a isso”. Recupero este texto para responder a outro leitor, inclusive para desculpar-me pelo tom talvez um pouco emocional de minhas respostas. Às vezes, no calor da discussão, podemos exagerar um pouco no uso das palavras, o que, claro, é perdoável, de parte a parte, quando nos animamos muito com o tema discutido. Porém, quero deixar bem claro que não fico chateado se alguém escrever algo diferente daquilo que penso, nos comentários aos posts, desde que haja respeito, sinceridade e argumento. Escrevam discordando de mim, por que não? Como dizia o Millôr Fernandes, “livre pensar é só pensar...”. -  Há braços, Claúdio . http://cantarapeledelontra.blogspot.com)

 



Escrito por Touché às 22h47
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O HOMEM MEU

 

O meu homem

fustiga-me o pescoço

ao alvorecer

 

caça-me os seios

e as saliências

da minha alma

 

guarda-me nos

recantos suas

pétalas de luz

 

acorda-se o

meu homem

com seus pelos

arrepiados e seus

olhos de

ilusão que me fascinam

 

Carolina de Loar

(roubado do  blog "Letras ao Luar"  - http://letrasaoluar.zip.net/)

 



Escrito por Touché às 20h29
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O HOMEM MEU

 

O meu homem

fustiga-me o pescoço

ao alvorecer

 

caça-me os seios

e as saliências

da minha alma

 

guarda-me nos

recantos suas

pétalas de luz

 

acorda-se o

meu homem

com seus pelos

arrepiados e seus

olhos de

ilusão que me fascinam

 

Carolina de Loar

(roubado do  blog "Letras ao Luar"  - http://letrasaoluar.zip.net/)

 



Escrito por Touché às 20h29
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Âncoras

Mesmo que eu morra

Mesmo que eu vença

Jamais termina o meu caminhar(...)

Mesmo que eu pire

Mesmo que eu continue aleijado por dentro

Jamais termina o meu caminhar

Mesmo que eu lance âncoras, limpe gavetas, seja ao mesmo tempo joio e trigo

Jamais termina o meu caminhar(...)

Esse é o destino-albatroz de todos os poetas condenados a existir

Purgando seus pecados letrais em subterrâneos da alma

Assim eu compreendo a minha sina

Morrer, Florir, Chorar, Escrever (sob o pântano da condição humana)

Jamais termina o meu caminhar(...)

Árvore de livros, minhas páginas de lágrimas

Banzos; o desterro de um distante lugar

Vou perolizando meu lastro até a ferrugem do fio terra nesse peregrinar.

 

Silas Correa Leite

poesilas@terra.com.br

 

 

 

 



Escrito por Touché às 20h28
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MOTIVO

 

Incondicionalmente sua

sem que alcance a totalidade

antes corrida nas luas congeladas

aos desejos enganados

que pensamos alcançar.

 

Somos figuras mentirosas

expostas ao ridículo trato

do pacto sem visível tempo

nesses fatos tratados sem assinantes.

Antes que o adeus se faça

e eu venha agarrar em seu corpo

implorando que fique,

não saia se faz em mim a poesia.

 

Não pertenço a sua temperança

também não fujo a ela.

Sou um monólogo em você

porque o quero sem querer

fervendo em desejos que arranhamos.

 

Somos balas perdidas

em corpos errados

seduzidos na veia principal

saltando ao encontro nu das idéias

que caem em nós como sexo

e é o sexo em concordâncias e não.

 

Cantiga destoada que persegue o ritmo

no medo de não levá-lo a busca

de mim que faz a loucura de nós.

 

A cura e a doença sadia

nas linhas Poe-máticas, Proble-máticas

dessa insanidade-virtual desconhecida

beirando o cheiro das mãos no vento

frio-quente deixado no caminho

das lágrimas que não caem

Pois corta o peito

sem o silêncio falsificado

nos aviões marcando o céu

das luas nuas em continuação.

 

Corte o visto que prende

acendendo o que pisa no favo

da paixão submissa sem leis

e remodele o suar em páginas Incendiárias

que nos aprisionam nas correntes cerebrais

do escrever na matéria viva:

Motivo de nos darmos tanto.........

 

Eliane Alcântara.

http://www.eliane_alcantara.blogger.com.br/

http://www.elianealcantara.blogger.com.br/

http://elianealcantara.zip.net/

http://www.leituraatualfases.blogger.com.br/

 

*

E ainda é tempo de desejar a todos os nossos atuais Don-quixotes , um feliz Dia dos Professores ( se é que isso é possível )  

 



Escrito por Touché às 20h09
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MEDITAÇÃO

 

Se nos for oferecida,

Por uma noite, a melodia,

Ouçamo-la em silêncio.

 

Se nos for permitida,

Por um momento, a palavra,

Sussuremo-la bem suave.

 

Se nos for concedida,

Por um instante, a graça,

Manifestamo-la com amor.

 

Se nos for possível, ainda,

Por um dia, a humildade,

Ser-nos á desvelado,

Por todo o sempre,

Quão simples e maravilhoso

É o nosso misterioso

Interior.

 

José Maurício Vieira

Extraído do livro “ Academia Guarulhense de Letras – Amostragem Literária

Vários autores

 



Escrito por Touché às 20h18
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POETAS DE GUARULHOS - LIVROS

 

No post de hoje, alguns poemas de uma das coletâneas da Academia Guarulhense de Letras

 ACADEMIA GUARULHENSE DE LETRAS – AMOSTRAGEM LITERÁRIA

Vários autores

 

O livro, publicado na ocasião do Centenário da Emancipação Política de Guarulhos , traz obras dos escritores de Guarulhos pertencentes a Academia Guarulhense de Letras  . Foi editado pelas Artes Gráficas Guaru S/A, sem prefácio ou apresentação , porém , com biografias dos acadêmicos.

 

Na contra capa do livro, consta a formação da A.G.L. da época, quando o presidente era Gasparino José Romão.

 

Participam da coletânea , os seguintes escritores : Adolfo de Vasconcelos Noronha, Aristides Castelo Hannsen, Flávio Cleto Giovanni Trombetti, Gasparino José Romão,Mons. Geraldo Penteado de Queiroz, Hildebrando de Arruda Cotrim, Irineu de Castro Andrade, Dr. João Ranali, José Maurício Vieira, Laerte Romualdo de Souza, Milton Luiz Ziller, Néfi Tales, Norlândio Meirelles de Almeida, Onofre Leite, Oscar Gonçalves, Sylvio Ourique Fragoso.

 

 

­­­*

Amostra Grátis

 

PRÁXIS

 

Era um louco metido a cientista,

Que fazia pesquisa alucinada,

Buscando a glória vã de uma conquista

Universal, que sempre dava em nada.

 

A meditar na cela de um hospício,

O cigarro crestava-lhe seus dedos,

Enquanto, em baforadas de suplício,

A fumaça compunha mil enredos.

 

O  louco, certo dia, após o ensalmo,

Pediu ao zelador do manicômio

Uma fitinha elástica, de um palmo,

Prá fugaz medição de um polinômio.

 

E soprando as volutas do seu fumo,

Vendo a composição de mil fantasmas,

Corria saltitante no seu rumo,

A mensurar quiméricos miasmas...

 

Era a força do acaso ou do destino !...

Esse infeliz, numa agonia aflita,

Ora premindo, ora espichando a fita,

No extremo desatino

Dos requebros num baile dos apaches,

Acabava, afinal, por descobrir a práxis !

 

Adolfo de Vasconcelos Noronha

 

 

EU OUÇO UMA VOZ CANTANDO LÁ FORA

 

Na calada da noite, eu ouço, no silêncio,

Uma voz cantando lá fora...

Paro e escuto aquela voz melodiosa,

Cantando lá fora...

Parece-me a voz dela cantando,

Há muito tempo, para mim.

Não suporto escutar apenas.

Abro a janela do meu quarto,

E solitário, escuto aquela voz

Que, pouco a pouco, vai se distanciando,

Sumindo-se na distância sem fim,

Das longas encruzilhadas.

 

É a voz dela , eu sei, cantando

Para mim no tempo distante

Que a saudade, que nunca me deixou

Trouxe de longe, do passado

Que se perdeu no tempo

E nunca, nunca mais voltou

 

Gasparino José Romão

 

 



Escrito por Touché às 00h12
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absurda mente inquieta:

são poliquetas abissais

sésseis, em sistema de convés

e meta de ternura.

 

adriana zapparoli

zeniteblog.zip.net

 

O crítico André Dick diz que os poemas de Adriana mantém “ um diálogo com um certo “desregramento de sentidos” de Rimbaud, ou seja, não é possível esperar uma leitura previsível em seus versos.”

*

Teoria escolhida

 

Deve ser estranho

preferir viver

na imundície e embrulhado em folhas

plásticas

 

Escolhendo restos

de alimentos

sobre montes de lixos

trazidos pelos caminhões,

e vendendo sacos plásticos

de shopping para reciclagem.

 

Deve se estranho

preferir morrer

assim tão jovem.

 Rob Walker

Tradução: Guilhermo Favaro Pez

O Poeta :  Rob Walker, australiano de Adelaide, poeta, no convés da fragata desde 1953, tem poemas publicados em jornais, em antologias poéticas e em diversos sites na Internet. Tem, também, publicado seus trabalhos por outros meios em vários países, tais como: Inglaterra, Nova Zelândia, Irlanda, Canadá e Estados Unidos. Seus poemas foram incluídos na antologia “Os Melhores Poemas Australianos”, publicada em 2005. Walker também ensina música e dramaturgia em uma escola primária da cidade de Adelaide....( poema enviado por email pelo amigo Efraim )

 

 

 

 



Escrito por Touché às 20h09
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Correspondências Recebidas

 

O post de hoje é novamente, sobre algumas correspondências recebidas :

 

·                   MEYA PALAVRA -  Inicio o post com o registro do recebimento  do jornal “Meya Palavra”, editado por Deusdedit Rocha, em Fortaleza. O jornal divulga pequenos poemas, principalmente trovas e quadras, dos poetas aniversariantes do mês. É desse jornal , o poema Dualidade, de Walmor  Dario S. Colmenero, de Santos, SP  :  “ Somos sem medo, o sonho e o degredo, em um só poema. “  Contato : Deusdedit Rocha – Rua João Cordeiro, 1991- aptº 101-B – Cep 60.110.301- Fortaleza- CE. ( O Walmor, mantém, junto com sua namorada Eunice Mendes, o site Poetizando. http://www.revistapoetizando.blogspot.com)

·                    O PATUSCO -  Mais uma publicação alternativa recebida: dessa vez é o jornal “O Patusco”, vindo de Caucaia/CE, editado por João Batista Serra. O Patusco também publica pequenos textos, poemas, contos, informações. Do Patusco, transcrevo esta trova, de Pedro Grilo : “ No vôo da imaginação/em devaneios imerso/na lira da inspiração/ o trovador tange – o verso !..” . Contato : João Batista Serra – Caixa Postal 95 – Caucaia – CE – Cep 61.600-000

·                   ANDERSON COSTA  - Igualmente acuso o recebimento de uma carta do amigo Anderson Alves Costa, de Osório/RS. Anderson me enviou vários poemas, entre eles, este, chamado “Sem Retorno” : “ Navego por olhares entardecidos/Que, além do horizonte/ Perdem-se/ No silêncio das primeiras plumas noturnas/ Abandonado no albergue dos finitos/Ao repuxo do tempo/ Entrego-me em vão.”

·                   LUIZ BALTHAZAR -  Baltazhar me enviou, alguns poemas do seu livro “Conteúdos”. Entre eles, este, chamado “Poema Nú” : “ Penumbra de sombras/ao amanhecer sem sol./Miséria saída do submundo/muda e contemplativa/sonhando com ilusões/ às cegas pelas ruas./Uma canção de mortos”. De Barbacena/MG

·                   ALMIR DE CARVALHO - Vinda do Rio de Janeiro, uma carta de Almir de Carvalho, com alguns hai-cais: “Praia bem deserta/Espuma e areia se encontram/em beijos eternos”.  (almirdecarvalho@yahoo.com.br)

·                   “..A obediência sem critérios, torna o homem idiota ”(Djanira Pio )  . Por hoje é só, abraços a todos. Paz e poesia !!!

 



Escrito por Touché às 21h58
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VariaVereda

 

 

E o sol veio domingo de requinte

Inda alindavam-se morros de sereno

Ventinho desses brandos tom ameno

Manhã toda de luz quase um acinte

 

Na estrada uma charrete perseguia

Carregando família impertigada

No Vilar missa de ano anunciada

Em paisagem comum se acontecia

 

Missa rezada obrigação cumprida

Marido indo cuidar coisas da lida

E mãe fez-se visita nuns parentes

 

Dia nadou entre prosas e escambo

Voltavam quando dia ia zambo

E tarde debruçava-se entrementes  

 

 

Irineu Volpato

São Paulo

(in VARIAVEREDA – Renard Edições  )

http://www.revista.agulha.nom.br/ivolpato.html

http://recantodasletras.uol.com.br/entrevistas/804767

 

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imóvel

 

Ela sorria em todas as fotos

dos velhos melhores dias.

Imóvel na alegria

dos seus dias coloridos

 

touché

touche.sp@uol.com.br

 



Escrito por Touché às 20h04
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VERSOS LIVRES

 

Olá ! Mais um post sobre o fanzine Versos Livres, dedicado à divulgação de poemas e pequenos textos, que eu edito há algum tempo. Já postei aqui poemas extraídos dos nºs 1a 8.

 

O número 9 do Versos Livres , trazia na capa uma letra de rap, do Grupo Ataliba e a Firma.. (http://www.youtube.com/watch?v=EeEJsvqqcqA). O informativo ainda vinha com Editorial e aqui o Editorial falava sobre a imprensa alternativa.

 

Trazia poemas de Olavo Bilac, Lari Franceschetto ( R.S), Djanira Pio,(SP), Doroni Hilgenberg (AM), Ziney Santos Moreira(SP), Marina de Fátima Dias (MS), do genial Robert Creley , João César Flores (RS), Luiz Fernandes da Silva (PB), Claúdio Manoel da Costa (sim, o inconfidente ), Florbela Espanca, Francisco Ferreira (PI), Bento Mioto, Elisa Zanoto (SP),  Rubens (Guarulhos), Vilmar José Matter (MG), Rose de Arruda(MT), Thiago de Mello,  Adriana R. Vieira(RS), Dôra Leal (MG), Maira Angélica F.Araújo (RS), Wellington de Souza (RJ),Andréa Carvalho(MG), e terminava com um poema de Cassiano Ricardo, que também já postei neste blog.

 

* * *

AMOSTRA GRÁTIS

 

Certos Ecos

 

Certos ecos

pequenas peças,

se depondo, pó

brilho de sol, pela

janela, nos

olhos. Seus

cabelos enquanto

você os pen-

teia, luz

atrás dos

olhos,

o que ficou de tudo

 

ROBERT CREELEY

________________

 

Quem deixa o trato pastoril amado 

Pela ingrata civil correspondência

Ou desconhece o rosto da violência

Ou do retiro a paz não tem provado.

 

Que bom é ver  nos campos transladado

No gênio do pastor,o da inocência !

E que mal é no trato,e na aparência

Ver sempre o cortesão dissimulado !

 

Ali respira amor, sinceridade :

aqui  sempre a traição seu rosto encobre

Um só trata a mentira,outro a verdade.

 

Ali não há fortuna que soçobre ,

Aqui tanto se  observa, é variedade :

Oh ventura do rico ! Oh bem do pobre !

 

CLAÚDIO MANOEL DA COSTA

 

Poemas extraídos do fanzine Versos Livres, editado em Guarulhos, SP

Contato : touche.sp@uol.com.br )

 

 



Escrito por Touché às 22h36
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TOTEM

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ébano e marfim

Manipulando ouro.

Oscilações

(Im)perfeitas

Dominações

Inflamáveis.

Perplexos deslumbramentos

Barro,prata e pó.

Tribuna,aura e leito,

Três pássaros banindo o só .

Trincheira condescendente

Sacro,profano, atemporal.

Colostro-colosso-ônix

Dies:Van e Tau.

Repouso adejando o eito

Afaga Amata

O negro cipó.

A fada maga

A branca nata

A rama dourada

Lambendo o só.

Então as pedras,após o zaino

A cratera pálida_E o dó?

A alba incauta e o filho pródigo:nó.

 

( P/ André Luís Pires de Souza)

 

Adriana Manarelli

dri.manarelli@hotmail.com

dri.manarelli@bol.com.br

 

Rua Negi Cury,325 - Pedro Perri - Araçatuba - SP - CEP 16026.320

 

 



Escrito por Touché às 23h52
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Mais um poema do Castelo, do livro mencionado no post anterior... Grato pelos comentários e sugestões...

Utopia

 

Aquela estrela é minha

Aquela, pequenina,

Na esquina do Universo, escondidinha.

 

Eu, que não tenho nada além dos meus chinelos,

Além dos meus poemas, além dos meus anseios,

Sou feliz proprietário de uma estrela,

Uma que eu inventei, e para vê-la,

Fecho os olhos na hora de sonhar.

 

Aquela estrela é minha, senhores astronautas,

Vagabundos do espaço de ninguém:

Cuidado, ela é frágil, assim como meus versos,

Astrônomos, que fuxicai pelo Universo,

Se um dia descobrirem essa estrela,

Ela tem nome, chama-se Utopia.

 

Aquela estrela é minha, senhor Deus,

Que pastoreais nuvens no Infinito,

E que semeais sóis e tempestades

Não leves a mal a pretensão do poeta,

Mas, aquela estrela, ainda que feia, é minha,

Não faz parte do elenco dos teus astros,

Eu a fiz com as mãos, o sonho, o coração.

 

Aquela estrela é minha, senhoras e senhores

E,quem quiser passear na minha estrela,

Numa tarde qualquer, de chuva ou sol,

É só me dar as mãos, ser meu amigo,

Compreender minhas incompreensões,

E caminhar comigo.

 

Mas não reparem se, de madrugada,

Não houver mais estrelas nem mais nada

É que ,às vezes,acordo maldormido,

Oprimido, homem e pingente,

E minha estrela, triste, vai embora,

E só regressa numa nova aurora,

Quando eu volto a ser gente..

 

Castelo Hanssen

Guarulhos – São Paulo

(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )



Escrito por Touché às 22h11
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POETAS DE GUARULHOS 

L I V R O S

A CANÇÃO  PRO SOL VOLTAR

 

O post de hoje é novamente sobre um dos Poetas de Guarulhos. Nesse caso, o escritor e jornalista Castelo Hanssen e seu livro “Canção pro Sol Voltar “. Esse livro teve duas edições : uma em 1983, pela Edições Mariposa, Mauá, SP, com capa desenhada pelo poeta Antenor Ferreira Lima. A segunda edição aconteceu em 2000, através da Editora do Escritor Luz e Silva Editor- São Paulo, com capa elaborada por Rogério Aguiar Hanssen e Osvaldo Ferreira Alves.

 

O livro foi prefaciado por Ernesto dos Santos Milagre, que entre outras coisas diz :“ Canção Pro Sol Voltar” é a vida do poeta Castelo Hanssen em prosa e verso, que se mistura com a nossa vida de sonhos, desejos, medos, tristeza, solidão e desesperança.” E por Valdir Carleto, também jornalista e proprietário do jornal guarulhense  “‘Olho Vivo”. Na primeira edição do livro , o prefácio foi feito por Aristides Theodoro.

 

O poeta oferece a obra aos seus pais e aos companheiros de jornada, isto é, os poetas marginais da sua geração e a todos que fizeram da vida uma poesia..

 

AMOSTRA GRÁTIS

CORGUINHO

 

O pobre corguinho que canta na serra,

Que corre, que corre, sem nunca cansar,

Pobre Corguinho, é tão pequeninho,

Mas, para mim, é “mais maior” que o mar.

 

Ele, para mim, é bem maior que tudo,

É grande,grande, como um coração,

É o coração feliz e bom da serra,

Da minha terra, do meu grande chão.

 

Pobre Corguinho, é bem maior que o mar,

Porque é bom, porque é cantor dolente,

Não ruge como o mar e não se zanga,

É humilde e pobre como a minha gente.

 

Corguinho bom que Deus criou na serra,

Que Deus criou cantando uma toada

Naquele dia, Deus estava alegre,

Criou o mundo e não criou mais nada

 

E foi dormir, contente deste mundo

Tinha criado a serra benfazeja,

Tinha criado a mata, os passarinhos,

Tinha criado a toada sertaneja.

 

Corguinho bom, que vai descendo a serra

Sem ambição, sem orgulho e sem nada

Tudo o que tem vai entregar ao mar

E morre feliz, cumprida a sua jornada

 

Quando eu encontro alguém falando grosso,

Quando um grande despreza um pequenino,

Eu me lembro do mar, que ronca e bufa,

E tudo o que ele tem deve ao corguinho...

 

Castelo Hanssen

Guarulhos – São Paulo

(in “Canção pro Sol Voltar “ Editora do Escritor Ltda” )

 

 



Escrito por Touché às 22h23
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Teatro dos Vampiros

Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto...

E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira
Se escondendo pelos cantos

Esse é o nosso mundo
O que é demais
Nunca é o bastante
E a primeira vez
É sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos...

Vamos sair!
Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos
Estão, procurando emprego...
Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Vamos lá, tudo bem!
Eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas
Possam se encontrar...

Quando me vi
Tendo de viver
Comigo apenas
E com o mundo
Você me veio
Como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito...

Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo
E não consegui dormir...

Vamos sair!
Mas estamos sem dinheiro
Os meus amigos todos
Estão, procurando emprego...
Voltamos a viver
Como a dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas...

Vamos lá, tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer dessa noite
Ter um lugar legal prá ir...
Já entregamos o alvo
E a artilharia

Comparamos nossas vidas
E mesmo assim
Não tenho pena de ninguém...

Renato Russo



Escrito por Touché às 21h33
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dados biográficos (ou + do mesmo)

 

Ontem,

passei o dia num curioso estado de suspensão.

Ainda surpreso por de repente não estar tão bem,

fumei um cigarro,

tomei um leite, um banho

e fui dormir.

 

Deus seja louvado.

 

Érico Marin

roubado do blog " Os Ventos da Primavera Não Alcançam Os Cômodos Da Minha Alma"

http://ericomrn.blogspot.com/

 

*

Érico é um poeta de Guarulhos e o blog dele é muito legal...



Escrito por Touché às 22h27
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Percurso Refeito  

Eu roubo os declives crispados

da luz na cavidade de teu abraço,

audácia de suores com que interrogas

certos pontos encobertos na brenha

de vícios que renascem em teu corpo.

Não há melhor saída para o indício

que queres instigar em minhas águas.

Embaralho tuas quedas incompletas,

suas hipóteses rompidas entre beijos.

Erras de um extremo a outro da pena,

revelando tuas máscaras insuspeitas

nos tecidos dissipados da escrita.

Deslacro tuas dores enquanto pensas

que o fogo não me queima dentro de ti.

 

Floriano Martins

( extraído de um email enviado pelo amigo Angelo Macedo - angelo.macedo@bol.com.br )

*

CORPOS EM CHAMA CAEM NO ABISMO

há milhões de anos, sei teu nome.

há milhões de anos, não sei o meu.

gostaria de conhecer as profundezas de teu nome.

a dor existe antes do sofrimento.

nossos corpos existem antes de nossas almas.

não há mais festa - não existo em minha casa.

teu corpo é meu caixão; meu corpo é tua podre ponte.

mergulha no esgoto, sente na língua meu sabor.

quero em minhas mãos, teu coração pulsante.

quero dentro de teu estômago, meus pés.

bebe minha mente; bebereis teus ovários?

bebo tua mente; beberás meus testículos?

 Rynaldo Papoy

 

( enviado por email pelo grande Papoy ,que informa que esse poema foi feito em 1991,para a sua primeira namorada. Diz ainda que a Editora Blocos costumava, nos anos 90, publicar edições especiais de poesia.Rynaldo participou da edição sobre "sexos".Informa ainda que vai postar  no blog "http://papoypoemas.blogspot.com."  seus poemas originais, mas iniciar com os poemas do livro "Saciedade dos Poetas Vivos - Volume X - Sexos", lançado em 1997.)Acesse :

http://papypoemas.blogspot.com

 _________________________

 



Escrito por Touché às 22h15
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CALEIDOSCÓPIO

O cão que morde a mão

Que o alimenta .

Esfinge do claro-escuro

Flagelo

De neve, de névoa, de espuma

Fusos e férulas

E Atlas

E a esfera...

 

Chuva de calabouços _

O esboço cinza e negro,

Avalanches sangram

E singram mescalina.

 

Os vitrais se decompõem

No espelho das dunas

O estagnado espaço

Que se reproduz

Aquarela

Circuito abissal.

 

Girando em circulo

Encalha-se nos barrancos

A maturação é o achincalhe

De imutáveis amarras

Que aconchegam a ancoradouros

De joão-ninguém à deriva.

 

Adriana Manarelli

rua negi cury, 325 - pedro perri - araçatuba - sp - cep 16026.320

(email : katharinaduarte@yahoo.com.br  - Araçatuba - SP -http://www.telescopio.vze.com)

ä

DICAS

1 - O amigo Angelo Macedo do grupo Letra Viva, de Guarulhos , que sempre colabora com este blog, recomenda  o site  http://www.borazanian.com .

2 - Dica de Jurema Barreto de Souza, de Santo André : “A Revista A Cigarra surgiu em maio de 1982, editada por Jurema Barreto de Souza e Tê Sávio. Em 1994 faz parceria com Zhô Bertholini. Em 2007 comemorou 25 anos e 42 números lançados. A história será contada em nosso blog: www.revistacigarra.blogspot.com em doses homeopáticas, mostrando as edições esgotadas e as curiosidades desta longa caminhada poética.” 

3 - A APPERJ - Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro convida todos os poetas a participarem do II FESTIVAL DE POESIA FALADA DO RIO DE JANEIRO - PRÊMIO FRANCISCO IGREJA. O tema do concurso é livre, três poemas inéditos, até o dia 15 de agosto de 2009, serão selecionados os 20 melhores textos, cujos autores receberão certificado de Menção Honrosa e prêmios no valor de mil reais, assim distribuídos: 1° lugar: R$400,00; 2° lugar: R$300,00; 3° lugar: R$200,00 e melhor intérprete: R$100,00. O poeta 1° lugar em texto receberá o Prêmio Francisco Igreja, que constará de: além do prêmio em dinheiro; publicação sem ônus na coletânea PERFIL e medalha Francisco Igreja. Outras informações : II Festival de Poesia Falada do Rio de Janeiro - Prêmio Francisco Igreja; Estrada de Jacarepaguá, 7166/404. Cep: 22753-045, Rio de Janeiro/RJ - Ou pelos tel: Márcia Leite (21) 2447-0697 / Sérgio Gerônimo (21) 3328-4863. - www.apperj.com.br

 

4 – A ALPASXXI – http://alpasxxi.literatura.zip.net - convida os escritores a enviarem textos para o seu site : Amigos escritores - Você não enviou poesia, conto, crônica ou artigo? Vamos esperar por ti!

Contamos com tua participação e amizade. Desejamos que a alegria e a poesia estejam presentes em tua vida.  

 Um poético e carinhoso abraço, Rozelia, Alba e Ilda “ . Participem !

 

 

 

 



Escrito por Touché às 00h09
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